São apenas notas soltas sem qualquer compromisso de actualização. Como ao caminhar à beira mar onde os nossos passos não são mais importantes mas ficam registados entre duas ondas.
Monday, July 30, 2012
De volta pela Serra
Tuesday, August 30, 2011
Dois dias de Serra!
Já algum tempo que desisti de tentar descrever as paisagens por onde passo na serra. O mais importante é preservar as emoções que elas nos despertam e para o resto existem as máquinas fotográficas. Infelizmente, devido a uma traição tecnológica, dos dois dias de serra do último fim de semana poucas memórias fotográficas ficarão. Para já tenho apenas a foto que ilustra este post. Uma vista diferente do vale das Fichinhas.
Seguindo o caminho pelas minas do Borrageiro - em direcção ao que os pastores chamam serra dos bois - tomamos o trilho que nos levaria até aos Prados da Messe. No Curral dos Bezerros desviamo-nos em direcção a sul e encontramos um trilho perfeitamente definido. Foi sem grandes dificuldades que chegamos a um pequeno curral - que identificamos como curral de Porta Ruivas - onde algumas vacas a pastavam livremente. A partir deste curral continuamos a seguir as mariolas que, embora perfeitamente visíveis e em grande número, nos levaram por um trilho complicado e fechado. Um pouco mais à nossa esquerda era visível um outro trilho que acredito ser mais fácil de seguir. Um trilho que julgo ter início no estradão de acesso ao Porto da Lage . Depois de uma paragem para refrescar no Porto da Lage seguimos o trilho que nos levou até Fafião.
Desde a publicação do POPNPG que me impus alguma reserva na descrição das caminhadas e pode parecer estranho que a tenha quebrado. Particularmente quando assumo uma dormida na serra. Faço-o porque na minha interpretação a actividade está perfeitamente legitimada. O POPNPG estabelece que a pernoita na serra é dormir ao relento abrigado em bivaque ou pequena tenda, mas eu dormi dentro de uma construção em pedra e alvenaria. A caminhada, considerando o nº de participantes, ainda que em ambiente natural, também não necessitavam de qualquer autorização prévia.
Relativamente à partilha do track GPS aqui confesso que mantenho as minhas dúvidas. No entanto, considerando que todo percurso está marcado por mariolas, não vejo razões para não o fazer. Trata-se de um trilho de elevado grau de dificuldade física, mas espectacular. A decisão de o realizar deve ser muito bem ponderada avaliando as nossas condições e as condições exteriores. Condições climatéricas adversas podem tornar este trilho muito perigoso.
Monday, January 03, 2011
Mata do Cabril
Ainda que nem sempre o fogo seja negativo, pois pode até ter efeitos regeneradores. Custa compreender como uma das reservas integrais do PNPG não consegue ser protegida. Mais uma vez foi um fogo que começou nos limites e foi progredindo. De Agosto lembro-me das sucessivas declarações que se desmentiam (aqui, aqui e aqui ). Na Mta do Ramiscal também não foi muito diferente. A verdade, é que 2 das 3 reservas integrais arderam nos últimos anos. A verdade é que nos últimos anos na Mata da Albergaria o fogo esteve do outro lado da estrada. A verdade é que no vale do Cabril é o segundo fogo em 10 anos. Isto não devia fazer pensar?
Mais uma curiosidade:
http://www.publico.pt/Local/cabrasmontes-da-mata-do-cabril-poderao-ter-fugido-do-fogo-para-espanha_1452247
Wednesday, November 17, 2010
Brandas de Sistelo
Gerês, 3 de Agosto de 1959 - Gosto de rever certas paisagens, ainda mais do que reler certos livros. São belas como eles, e nunca envelhecem. O tempo não degrada a linguagem que as exprime. Pelo contrário, enriquece-a, até, num esforço de perfeição constante que, embora involuntário, parece intencional.Faz alargar a copa a um carvalho, e reforça determinado volume; outaniça precocemente algumas folhas, e esbate um pouco a cor afogueada duma encosta; entoira um ribeiro e gera um lago onde se espeçha o perfil dos montes. E eu olho, olho, e não me canso de admirar uma placidez assim permanentemente movimentada. Pobre artista que sou, sei que é esse renovo ininterrupto que falta ás obras puramente humanas. Mesmo as geniais, são momentos vibráteis na qietude da eternidade, ilhas vulcânicas no mar morto do tempo. Agitam-se, mas dentro do seu anquilosamento histórico.
Monday, March 01, 2010
A galinha dos ovos de ouro

Friday, January 29, 2010
Sair da prateleira
Wednesday, December 30, 2009
Projectos para 2010 e outras reflexões
O ano 2009 está quase terminado e 2010 é já depois de amanhã. No ano que termina caminhei muito pouco. Foram várias as razões que me afastaram de uma actividade que me dá tanto prazer e da qual necessito para equilíbrio interno. Espero conseguir caminhar mais em 2010, ainda que pesa sobre os meus locais preferidos uma ameaça terrível. As taxas que o ICNB quer implementar ameaçam todos os que gostam de caminhar pelo PNPG. É mais que lógico que ninguém pagará 200 € para pedir uma autorização para caminhar. Mais ainda desconfiando que não terá essa autorização. Já fiz todas as tentativas para perceber a racionalidade destas taxas, mas não consigo. Simplesmente não consigo. Não sou por princípio contra a regulamentação das caminhadas em espaços naturais. Não posso é aceitar que em nome dessa regulamentação se queira simplesmente acabar com as actividades.
Recebi este Natal o livro Os Mais Belos Passeios na Montanha. São caminhadas duras e longas atravessando algumas delas parques naturais. São, na sua maioria, caminhadas com um grau de dificuldade técnico e físico muito superior ao que poderia realizar. Sem qualquer surpresa são quase todas completamente livres e sem qualquer taxa. Uma delas, a mais próxima, decorre parcialmente no PARQUE NACIONAL ORDESA - MONTE PERDIDO onde me foi tirada a foto acima. Um local ao qual pretendo voltar para completar o que não consegui na altura. Espero ter a oportunidade de contemplar a "escupidera" e conquistar o Monte Perdido. Para 2010 decidi subir a uma montanha e para já esta é a escolhida. O projecto começa por perder uns bons quilitos.
Tuesday, October 07, 2008
Nevosa
Mais tarde, num dos inúmeros prados, uma companheira de montanha, guia de serviço, desafiou-nos a uns exercícios de Yoga (não sei se com ou sem acento - já me explicaram que é muito diferente, ainda que não tenha percebido em quê - mas para o caso não é importante). Foram apenas curtos exercícios de respiração, mas souberam muito bem. A massagem também ajudou.
Os momentos mais altos foram, no entanto, o avistamento de fauna normalmente mais esquiva. Ainda que mantivessem as distâncias seguras, por momentos senti-me num episódio da BBC Vida Selvagem.
o grupo a relaxar (foto da White Angel)Tuesday, July 15, 2008
Caminhada na Serra Amarela
No último Domingo (1) voltei à Serra Amarela repetindo a caminhada que idealizámos para homenagear Miguel Torga. Em 2007 as condições climatéricas reduziram a caminhada a um pequeno grupo de corajosos caminheiros. Nessa ocasião fizemos toda a cumeada debaixo de um denso nevoeiro e só o bom conhecimento do trilho (e o seu registo no GPS) não nos fez regressar. Nasceu assim o desejo de voltar num dia melhor. Depois com o UPB não tive melhor sorte. Desta vez o dia estava claro, excelente para caminhar e aproveitar a paisagem a que Torga chamou "Portugal nuclear, a Ibéria na sua pureza essencial e granítica".

Margot Dias, Miguel Torga, André Rocha, Jorge Dias(2) e José Fecha(3) fotografados nos montes de Vilarinho
Em 25 de Julho de 1945 Miguel Torga percorreu a Serra Amarela na companhia de um habitante de Vilarinho da Furna porque queria ver um fojo de que tinha tido notícia. Procurou um guia e foi-lhe indicado José Fecha, pastor, contrabandista e profundamente conhecedor da serra. A jornada está perfeitamente descrita no Diário e na Criação do Mundo. Dois relatos perfeitos sobre o carácter do poeta e do seu amor pela serra e pelos serranos
No Domingo iniciámos a caminhada em Brufe, porque Vilarinho da Furna já não existe, e procurámos os locais visitados em 25 de Julho de 1945. Aos fojos, às casarotas, às vezeiras, juntamos as silhas, o muro de Vilarinho, a Louriça de onde decidimos descer para Vilarinho. Desta vez tivemos ainda a sorte de conseguir visitar a famosa "Casa das Neves", que os Arcebispos de Braga fizeram construir no alto Serra para abastecimento de gelo, da qual já tinha lido algumas referências mas nunca tinha encontrado elementos suficientes para a localizar. Dela não restam mais que 3 paredes enterradas numa chã, mas foi a "cereja em cima do bolo" desta caminhada. Como o poeta gosto de descobrir os "recados do passado". Descoberta que não teria sido possível sem a colaboração da CMTB e que não posso deixar de agradecer
Deixo para outra oportunidade informações sobre as Casarotas, a Casa das Neves e Vilarinho da Furna. Na preparação desta caminhada descobri ainda uma evidência de Miguel Torga ter caminhado mais do que uma vez pela Serra Amarela. As fotos que ilustram o artigo de Jorge Dias sobre as casarotas (1946), apesar da má qualidade das cópias que possuo, identificam claramente o Miguel Torga junto das construções. E como elas não terão sido realizadas em 25 de Julho de 1945, comprovam que pelo menos outra vez voltou lá. Possivelmente na mesma data em que Jorge Dias e Miguel Torga foram fotografados na companhia das esposas e José Fecha perto de Vilarinho. Da monografia de Jorge Dias tenciono ainda utilizar outras informações. As férias estão a chegar e terei algum tempo para os escrever.
(1) A caminhada foi organizada no Domingo pela AAEUM com aparticipação do UPB. No dia anterior o UPB fez praticamente a mesma caminhada em sentido inverso
(2) Jorge Dias, etnólogo português autor de "Vilarinho da Furna, uma aldeia comunitária" (tese de doutoramento de 1944) e de "As Casarotas na Serra da Amarela: construções megalíticas com uma inscrição"(1946)
(3) Habitante de Vilarinho da Furna, guia de Miguel Torga em 25 de Julho de 1945
fotos da caminhada
Monday, May 26, 2008
Aldeia Velha do Juriz - Sancti Vicencii de Gerez
Encontrei-a, finalmente, na tarde do último Sábado. O dia tinha amanhecido chuvoso e depois do pequeno-almoço ficámos na Taberna Celta à lareira. Lá fora, dia não estava para caminhadas e foi difícil abandonar o conforto do fogo. Em volta da lareira, tivemos ainda a sorte e oportunidade de trocar informações com um cliente habitual da taverna. Sobre o carvalhal havia um denso manto de nevoeiro que apenas a espaços abria. Pousadas numa mesa, umas cartas militares da zona permitiam-me recordar as caminhadas que já fiz por ali, mas essencialmente recordavam-me as por fazer e a aldeia por descobrir.
ruínas de uma casa de planta quadrangular
vestígios da limpeza efectuada recentemente
Na zona mais elevada da aldeia encontrámos sinais de uma limpeza recente conforme nos tinham referido na aldeia. Como foi feita pelos bombeiros, julgo que terá sido feita como prevenção contra incêndios. No entanto pode ser também sinal que a sua visitação está mais próxima. O tempo chuvoso não nos deixou apreciar toda a beleza da aldeia, mas subimos ao alto dos blocos de granito que serão o chamado castelo. No alto encontramos a famosa cruz de pedra e umas inscrições. Não ficamos muito tempo, as nuvens sobre a capela de S. João anunciavam a chuva que rapidamente nos alcançou. Espero voltar lá com mais tempo e investigar outros caminhos.
pequena cruz de pedra no alto do castelo
entalhes na rocha da pequena atalaia (?)
Descrição arqueológica* : Povoado abandonado com arruamentos lajeados e vestígios de cerca de 40 casas, de planta geralmente quadrangular e paredes de blocos graníticos mais ou menos aparelhadas, muitas ainda com umbrais e soleiras das entradas. Poderá tratar-se da aldeia medieval de Sancti Vincencii de Gerez referida nas "Inquirições Afonsinas" de 1258, provavelmente abandonada no século XV, tempo de fomes, pestes e guerras. Nunca mais seria reocupada, podendo aceitar-se que tenha sido substituída pela aldeia de Pitões das Júnias. O lugar encontra-se actualmente coberto por um frondoso carvalhal espontâneo, com a vegetação a conferir às ruínas uma beleza pouco vulgar. No extremo setentrional do povoado, no topo de um pequeno outeiro coroado por caos de blocos graníticos, a que a população chama "castelo", identificam-se alguns rasgos que desenham uma planta quadrangular com cerca de 2 metros de lado, vestígios que poderão corresponder a uma pequena atalaia. Um pouco mais longe, cerca de 1,5 km para Sudeste, fica o mosteiro de Santa Maria das Júnias. Em termos arqueológicos conserva-se tudo em bom estado.
Interesse : Trata-se de um monumento de inegável significado histórico regional e excepcional valor científico e patrimonial, cujo estudo é fundamental para o conhecimento da evolução do povoamento medieval na vertente nascente do maciço geresiano. As ruínas desta aldeia abandonada enriquecem-se ainda com a paisagem envolvente, marcada por exuberante cobertura vegetal e relevos vigorosos. No Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês foi proposta a classificação do "Povoado de Juriz" como Monumento Nacional.
Monday, March 17, 2008
Sobre a voluptuosidade da fadiga e outros apontamentos
Miguel Torga - Diário II
É a segunda vez que publico esta entrada do Diário. Publico-a novamente porque ela ilustra bem também a minha relação com a "paisagem" e o que experimentei ao percorrer mais uma vez o meu chão de eleição. O prazer de sentir a voluptuosidade da fadiga e depois descansar a olhar a paisagem ao nosso redor é coisa que não consigo explicar facilmente. Apenas os outros "geófagos", para usar a expressão do Torga, o compreendem. Os curtos minutos em que fiquei a olhar as Fichinhas e o vale do Rio da Touça foram simplesmente mágicos. Entro na montanha quase como quem entre num templo. É nela onde melhor me contemplo. É por isso que não a entendo sem estes momentos de reflexão. Depois foi descer e percorrer o mais bonito vale do PNPG. Um percurso tão bonito como duro e perigoso. Para mim a mais bonita ruga de Portugal.


