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Thursday, September 07, 2006

Bancada lateral


Quando
tu me vires no futebol
estarei no campo
cabeça ao sol
a avançar pé ante pé
para uma bola que está
à espera dum pontapé
à espera dum penalty
que eu vou transformar para ti
eu vou

atirar para ganhar
vou rematar

e o golo que eu fizer
ficará sempre na rede
a libertar-nos da sede
não me olhes só da bancada lateral
desce-me essa escada e vem deitar-te na grama
vem falar comigo como gente que se ama
e até não se poder mais

vamos jogar

Quando tu me vires no music-hall
estarei no palco
cabeça do sol
ao sol da noite das luzes
à espera dum outro sol
e que os teus olhos os uses
como quem usa um farol
não me olhes só dessa frisa lateral
desce pela cortina e acompanha-me em cena
vamos dar à perna como gente que se ama
e até não se poder maisvamos bailar

Quando tu me vires na televisão
estarei no écran
pés assentes no chão
a fazer publicidade
mas desta vez da verdade
mas desta vez da alegriad
e duas mãos agarradas
mão a mão no dia a dia
não me olhes só desse maple estofado

desce pela antena e vem comigo ao programa
vem falar à gente como gente que se ama

e até não se poder mais
vamos cantar

E quandoà minha casa fores dar
vem devagar
e apaga-me a luz

que a luz destrouta ribalta
às vezes não me seduz
às vezes não me faz falta
às vezes não me seduz
às vezes não me faz falta.

Sérgio Godinho - Espectáculo


O futebol é uma coisa engraçada. Num momento em que os jornais relatam o lado mais negro, um dos rostos de uma geração aceita dar a cara enquanto adepto. Acho que não faz falta perguntar "que força é essa, amigo".

É uma pena que esta força esteja prisioneira de tantos interesses. Para já fico na bancada lateral, esperando o remate que nos liberte desta sede.

Tuesday, August 30, 2005

Finalmente um reforço

Já começava a duvidar. No meio de tantas promessas, de tanta novela, o meu Benfica lá conseguiu um dos reforços prometidos. No meio de tudo isto um sinal positivo: conseguiram contratar um jogador antes de ele aparecer nas primeiras páginas dos jornais desportivos.
Na universidade, numa picardia entre cursos, disse uma vez a uma amiga que os jornalistas desempenhavam a mesma função social dos divulgadores de boatos, eram uma espécie de porteiras com estudos. Guardei a expressão que utilizei mais algumas vezes como arma de arremesso. Guardei-a porque gostei da imagem, da sua piada, não por acreditar nela. Confesso que a gostava de usar. Era uma imagem forte e até ofensiva, razão pela qual apenas a usava com pessoas amigas e como brincadeira.
Apesar de ler, e ocasionalmente comprar, jornais desportivos, acredito que podemos aplicar esta expressão ao jornalismo desportivo. É um subgénero que vive da trica e do boato, que desqualifica os seus autores. Imagino até que pelos seus pares sejam categorizados apenas um pouco acima dos cronistas sociais. Imagino que um jornalista "à séria", que tenha passado pelos desportivos, esconda essa mancha. Se questionado por esse período preferirá dizer que teve uns problemas e andou uns anos por umas clínicas estrangeiras, ou que andou a percorrer o mundo com uma mochila. Tudo menos a vergonha de ter tratado sobre quem bebia taças de champanhe, comia fruta mas preferia café com leite.