Há acontecimentos que apenas parecem servir para nos provar que está tudo doido. O jornal "Público" descreve assim parte do episódio Fátima Felguiras:
"No requerimento, o advogado de Fátima Felgueiras pedia que fosse revogada a prisão preventiva, uma vez que não se verifica já o perigo de perturbação da investigação (está concluída), de continuação da prática dos crimes que lhe são imputados (não volta à câmara neste mandato), nem o perigo de fuga, uma vez que voluntariamente se apresentou à justiça para ser julgada. Esta tese foi contrariada pelo Ministério Público, entendendo que se mantém o perigo de fuga, que terá mesmo sido confirmado pelo comportamento da autarca, pelo que pedia a manutenção da prisão preventiva. Diferente, no entanto, foi a avaliação da juíza, que optou por libertar Fátima Felgueiras, impondo-lhe tão-somente a obrigatoriedade de não se ausentar do país, a par da reformulação do termo de identidade e residência."
Não há perigo de fuga? Para que serve a obrigatoriedade de não se ausentar do país de alguém que já fugiu antes? Quem tem medo do que esta senhora poderá contar? A juíza tem juízo?E quem julga o juízo da juíza.
São apenas notas soltas sem qualquer compromisso de actualização. Como ao caminhar à beira mar onde os nossos passos não são mais importantes mas ficam registados entre duas ondas.
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Thursday, September 22, 2005
Sra. Dona Fátima
O país está incrédulo. Para os não iniciados nesta magia negra em que aos poucos a justiça se está a transformar, é difícil assistir a mais este episódio da novela Fátima Felgueiras e continuar a acreditar nos tribunais.
Será que aquela senhora que com tiques de Evita se assumiu como candidata a um município português não é a mesma que fugiu para o Brasil? Não é a mesma que fazia conferências de imprensa do Rio de Janeiro, com o bronzeado das praias de Copacabana, dizendo-se vítima de um sistema que a avisou a tempo de evitar a prisão? Não é mesma em nome da qual se espancou dirigentes partidários? Não é a mesma sobre a qual recaem graves acusações?
Felgueiras não fica muito longe de Fonte Arcada, onde terá começado a Revolta da Maria da Fonte. E talvez Fátima Felgueiras sonhe poder reeditar esse levantamento popular. E não está muito enganada na génese da revolta. A "Maria da Fonte", apesar de cantada por uma certa esquerda, foi um revolta ultraconservadora despoletada contra a retirada dos mortos das igrejas, foi essencialmente a revolta de um país paroquial contra a modernidade. Foi uma revolta contra as reformas.
Se podemos reclamar do sistema de justiça que permite este espectáculo triste. Se podemos reclamar de um sistema político que permite que estas candidaturas. Devemos reclamar do país que somos, do país que elege estes "caudilhos".
O país que ontem recusou entender uma medida de higiene pública, é o mesmo que hoje continua a desconfiar do estado. É o mesmo país que continua a entender as fugas aos impostos. É o mesmo país que aplaude o infractor porque é o mais "esperto", e penaliza o cumpridor responsável.
É porque ainda há em nós um pouco da "Maria da Fonte" que existem Fátimas Felgueiras. É complicado respeitar um Estado que não se dá ao respeito. Desejo é que, desta vez, saibamos ver quem é "falso à nação".
Será que aquela senhora que com tiques de Evita se assumiu como candidata a um município português não é a mesma que fugiu para o Brasil? Não é a mesma que fazia conferências de imprensa do Rio de Janeiro, com o bronzeado das praias de Copacabana, dizendo-se vítima de um sistema que a avisou a tempo de evitar a prisão? Não é mesma em nome da qual se espancou dirigentes partidários? Não é a mesma sobre a qual recaem graves acusações?
Felgueiras não fica muito longe de Fonte Arcada, onde terá começado a Revolta da Maria da Fonte. E talvez Fátima Felgueiras sonhe poder reeditar esse levantamento popular. E não está muito enganada na génese da revolta. A "Maria da Fonte", apesar de cantada por uma certa esquerda, foi um revolta ultraconservadora despoletada contra a retirada dos mortos das igrejas, foi essencialmente a revolta de um país paroquial contra a modernidade. Foi uma revolta contra as reformas.
Se podemos reclamar do sistema de justiça que permite este espectáculo triste. Se podemos reclamar de um sistema político que permite que estas candidaturas. Devemos reclamar do país que somos, do país que elege estes "caudilhos".
O país que ontem recusou entender uma medida de higiene pública, é o mesmo que hoje continua a desconfiar do estado. É o mesmo país que continua a entender as fugas aos impostos. É o mesmo país que aplaude o infractor porque é o mais "esperto", e penaliza o cumpridor responsável.
É porque ainda há em nós um pouco da "Maria da Fonte" que existem Fátimas Felgueiras. É complicado respeitar um Estado que não se dá ao respeito. Desejo é que, desta vez, saibamos ver quem é "falso à nação".
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