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Thursday, January 21, 2016

Notas dos currais de Vilarinho da Furna

cabana de Porto covo, com Chão de Peijoanas em 2º plano


Numa caminhada recente passei por locais que há muito queria visitar com a intenção de localizar os currais de Vilarinho da Furna.

Baseando-me na informação de Jorge Dias, em Vilarinho da Furna - Uma aldeia Comunitária, e Manuel de Azevedo Antunes, em Vilarinho da Furna - Memórias do Passado, é possível proceder a uma listagem dos currais da aldeia. Compiladas em momentos diferentes, as listagens são naturalmente diferentes, mas informação não deva ser tida por completa e devem ter existido mais currais do que o citados.

O livro de Jorge Dias resulta da tese de doutoramento apresentada na Universidade de Munique em 1944 e os trabalhos de campo foram realizados num tempo em que na aldeia se mantinha vivo o comunitarismo e a serra ainda era profusamente ocupada pelos rebanhos da aldeia.

O livro de Manuel de Azevedo Antunes é uma obra mais tardia. Uma homenagem às memórias da sua aldeia e da sua comunidade. Nascido em Vilarinho da Furna, Manuel de Azevedo Antunes já cresceu com a ameaça da barragem que a haveria de sepultar e com os efeitos das migrações. Não sendo apenas uma memória dos últimos tempos da aldeia é naturalmente marcada por eles. 

O maneio da serra por parte de Vilarinho não terá sido igual ao longo dos tempos. Era realizado de acordo com as necessidades e capacidades da  aldeia e foi também influenciado por causas externas à aldeia. Entre as últimas podemos facilmente isolar duas pelo impacto profundo, ambas do século XIX: a marcação da fronteira luso espanhola e florestação iniciada com o Perímetro Florestal do Gerês.

Para melhor compreensão da utilização dos currais, faço também uma breve explicação da organização pastoril da aldeia.

A questão da fronteira


A delimitação tardia da fronteira explica os currais situados em Espanha. As referências de Jorge Dias, prova que a aldeia a ignorou enquanto lhe foi possível e que, nas primeiras décadas do século XX,  continuava a utilizar currais em Espanha. A utilização destes prados terá terminado com a arborização das montanhas pelos serviços florestais de Espanha e foi  um golpe na economia pastoril de Vilarinho.

Ainda que nos seja atribuída uma das fronteiras mais antigas e estáveis do mundo  a sua delimitação é apenas do século XIX:
"A estabilidade da fronteira que muitos pretendem ver desde o Tratado de Alcañices foi, contudo, mais aparente do que real. As fronteiras medievais eram fluidas e imprecisas e as frequentes disputas obrigavam à interven­ção dos poderes régios. Na realidade, ao longo da História, a fronteira foi palco de múltiplos litígios entre os moradores de um e do outro lado, como múltiplas foram também as tentativas de entendimento e de demarcação territorial." Maria Helena Dias, Finis Portugalliae - Nos Confins do Mundo 
Na década de 50 do século XIX foi criada a primeira Comissão Internacional de Limites e  o Tratado de limites entre Portugal e Hespanha, seria assinado em Lisboa em 29 de Setembro de 1864 (com dois anexos de 1866, relativos aos rios limítrofes e sobre as apreensões de gados).

A colocação dos marcos necessários e sua descrição geométrica demorou 40 anos e a  1 de Dezembro de 1906 foi, finalmente, assinada a Acta geral de delimitação entre Portugal e Espanha, após intensos trabalhos de campo e de gabinete.
“Portugal tinha, deste modo, e pela primeira vez, grande parte da sua linha de fronteira terrestre descrita científica e minuciosamente: uma linha poligonal que une pontos determinados do espaço, materializados no terreno pelos marcos fronteiriços, paralelepípedos numerados, com uma das faces voltada a Portugal, onde se encontrava inscrita a letra P, e a face oposta voltada a Espanha, onde se encontrava inscrita a letra E.” Maria Helena Dias, Contributos para a História da Cartografia militar portuguesa.
Na delimitação da fronteira na área do Lindoso, as populações nacionais reivindicavam uma fronteira, marcada no tombo de 1538, que da Cruz do Touro descia até à Pedra do Bozelo, ou Bozelho, e atravessando o Lima, subia ao Quinjo e ia paralelamente a este rio até à confluência com o de Castro Laboreiro; e, ainda, o anterior a este, abrangendo os terrenos outrora ocupados pelos alcaides do Lindoso. As populações espanholas pretendiam que a fronteira fosse estabelecida pelos rios Cabril, Lima e Castro Laboreiro. A solução final este litígio, dirimido por via diplomática, viria a dividir o terreno questionado em duas partes iguais (artigo 4.º do Tratado de 1864), acabando a linha de fronteira por ficar posicionada a Este da capela, e não no rio Cabril, e seguir por onde pretendiam os espanhóis, na restante parte. 

A questão da fronteira do Lindoso, a verde a fronteira marcada e a amarelo a reclamada. 
Maria Helena Dias, Finis Portugalliae - Nos Confins do Mundo 
"A conflituosa fronteira junto ao Lindoso, segundo a posse dos seus habitantes e os títulos antigos registados nos arquivos da Torre do Tombo e do Arcebispado de Braga, num desenho de Custódio José Gomes de Vilas Boas em 1803 (aqui destacada). Enquanto esses documentos estabeleciam os limites de Portugal e Espanha pelas cumeadas das serras, os galegos vizinhos pretendiam que a demarcação passasse pelos rios Tibo ou da Várzea (hoje, Castro Laboreiro), Lima e Cabril." Maria Helena Dias, Finis Portugalliae - Nos Confins do Mundo 

O Perímetro Florestal do Gerês


Perímetro Florestal do Gerês
mapa de Tude de Sousa - Serra do Gerez

A criação do Perímetro Florestal do Gerês em 1888 (1) altera o modo secular de usufruto da serra e dos seus recursos. A instalação da Mata e dos Serviços Florestais marcou o Gerês, a Serra, o Parque, o concelho de Terras de Bouro e as suas comunidades. Sobre este evento, José Viriato Capela em Os povos da Serra do Gerês em luta contra a Mata e os Serviços Florestais escreve que “com eles [a Mata e os Serviços Florestais] põe-se fim a um larguíssimo ciclo de uso tradicional da serra e dos seus recursos por estas comunidades serranas. Comunidades que põem todo o seu empenho na salvaguarda e defesa dos pastos dos montes onde se cria o gado que é a sua principal fonte de rendimento. A eles tudo submete e em função deles tudo organiza.”

Naturalmente que é errado não reconhecer o mérito do trabalho realizado pelos Serviços Florestais, mas do ponto de vista das comunidades locais o efeito foi devastador. Em nome do progresso estas comunidades foram prejudicadas na apascentação do gado; na fabricação de carvão; na recolha de mato para adubar as terras e no corte e apanha de lenhas secas e rasteiras. O que, até teve alguma compreensão e compromisso da Mata e Serviços Florestais quando estabeleceu acordos que deixavam sem arborização os currais, sítios de excelência de pastos da montanha geresiana. Eu  compreendendo o progresso, mas tenho sempre presente,  de Quando os lobos uivam; Aquilino Ribeiro, o discurso do advogado de defesa dos que se revoltaram contra a florestação: “Na minha opinião humilde e desambiciosa, opinião de quem vê o homem através da sua humanidade, o que há a fazer é plantar a civilização nas aldeias, uma civilização digna do século XX, antes de pensar ir para a serra mudar-lhe a natureza.”


A organização pastoril de Vilarinho da Furna


Jorge Dias faz uma descrição pormenorizada da organização pastoril de Vilarinho da Furna. O maneio do gado obedecia às decisões dos juízes do acordo e nem todos o gado era vigiado. Os cavalos e éguas eram deixados em liberdade num estado semiselvagem  e, se o tempo permitia,  acabadas as vezeiras, os bois também poderia ser deixados ao feirio por algum tempo.

Os bois e vacas formavam duas vezeiras diferentes e as zonas de pastagem estavam normalmente divididas por muros de pedra para que os animais não se encontrassem. Os bois, ainda que castrados, continuavam a ter cio e não deixavam as vacas pastar em paz. A presença dos bois poderia ainda enfurecer o toiro. Estas vezeiras começavam em Maio e duravam 5 meses.

A vezeira das vacas era a mais importante e de maior responsabilidade e com ela andava o touro de cobrição que pertencia ao lugar (Eido).

A vezeira dos bois tinha uma organização muito semelhante à das vacas e, contrariamente a outros locais, havia um certo equilíbrio entre vacas e bois. Jorge Dias via neste facto uma evidência que a aldeia se dedicava mais à engorda de animais para venda de carne e menos ao aproveitamento do leite e seus derivados.

As vacas com crias ou prestes a parir formavam a vezeira do Eido e pastavam por terrenos perto da aldeia e à noite retornavam ao Eido. Ainda hoje é fácil identificar alguns dos locais desta vezeira como, por exemplo a Chã de Cima. 

As cabras formavam a vezeira das rês. Esta vezeira era anual e saía de manhã e voltava à noite. Enquanto durassem as vezeiras das vacas e a vezeira dos bois, a vezeira das rês não podia entrar nos espaços destas de forma a não estragar os pastos.

A vezeira dos carneiros era a mais pequena de todas e os seus pastos eram todos na margem esquerda do rio Homem. São conhecidos topónimos como Chã das Ovelhas e Cabeço da Chã das Ovelhas. 

Para além destas 5 vezeiras, havia ainda o rebanho das rês de parte formada  pelas cabras de um ou dois vizinhos mais abastados. Esta vezeira era mandada com pastor próprio de forma a descongestionar  a vezeira comum, permitindo que os animais pastassem melhor. 


Os currais e cabanas de Vilarinho das Furna


Recorrendo a Jorge Dias e a Manuel de Azevedo Antunes é possível realizar uma listagem dos currais e cabanas da aldeia. Esta listagem deve ser considerada incompleta porque os autores parecem ter-se preocupado com a apascentação do alto da serra. Mais próximo da aldeia a Vezeira do Eido e a Vezeira dos Carneiros teriam também as suas zonas de pasto definidas.

Vilarinho da Furna - Uma aldeia Comunitária
Jorge Dias

Currais das Vacas
  • Prados Caveiros [Prados Coveiros em outras fontes, localização conhecida]
  • Albergaria [localização conhecida]
  • Chão do Vidoal [localização conhecida]
  • Chão do Ramisquedo [localização conhecida]
  • Chão de Peijoanas [localização conhecida]

Currais dos Bois
  • Chão de Separros [Ceparros em Manuel de Azevedo Antunes, localização provável conhecida]
  • Chão dos Toiros [localização provável indiciada por topónimo]
  • Chão do Porto Covo [localização conhecida]
  • Chão da Fonte [localização conhecida]
  • Chão de S. Miguel [localização conhecida]

Currais das Éguas (2)
  • Mouroas (ES) [localização desconhecida]
  • Chão Galego (ES) [localização desconhecida]
  • Lama do Picão (ES) [localização desconhecida]
  • Costa do Girico (ES) [localização desconhecida]
  • Costa de Negrelas (ES) [localização desconhecida]
  • Cabecinha de Pinheiro (ES/PT) [localização desconhecida]
  • Curral de Palas (ES) [localização desconhecida]
  • Rio Calvos (ES) [localização desconhecida]
  • Porta Ribeiro (ES) [localização desconhecida]
  • Chão de Fojos (ES) [localização desconhecida]
  • Onde Morreu Martinho (ES) [localização desconhecida]
  • Chão de Toiros (Fronteira) [localização sugerida por topónimo] 
  • Banhadoiro (Fronteira) [localização desconhecida]
  • Uêlo (Fronteira) [localização desconhecida]
  • Chão de Calvos [localização sugerida por topónimo] 
  • Chão de Carvalho [localização sugerida por topónimo] 
  • Chão de Pocinhas [localização desconhecida]
  • Cabeço de Palheiros [localização sugerida por topónimo] 
  • Carvalha 36 (Fronteira) [localização desconhecida]
  • Palheiros[localização sugerida por topónimo] 
  • Corga das Cabanas [localização desconhecida]
  • Gramelas [localização sugerida por topónimo] 
  • Corisco [localização sugerida por topónimo] 
  • Chão dos Cesteiros [localização desconhecida]
  • Chão Terrão [localização desconhecida]
  • Portela do Homem [localização sugerida por topónimo] 

Vilarinho da Furna - Memórias do Passado
Manuel de Azevedo Antunes (3)

  • Vidoal Vidoal [localização conhecida]
  • Chão do Muro [localização conhecida]
  • Chão da Fonte [localização conhecida]
  • Ramisquedo [localização conhecida]
  • Peijoanas [localização conhecida]
  • Chão do Carvalho [localização provável conhecida]
  • Ceparros [Separros em Jorge Dias, localização provável conhecida]
  • Chão dos Touros [localização provável indiciada por topónimo]
  • Calvos[localização provável indiciada por topónimo]
  • Rio D'Home [localização desconhecida]
  • Albas [localização provável indiciada por topónimo]
  • Abrótegas [localização conhecida]
  • Amoreiras [localização conhecida]
  • Palheiros [localização provável indiciada por topónimo]
  • Varziela [as cartas 30 e 31 assinalam locais com estes topónimos]
  • Prados Caveiros [Prados Coveiros para outras fontes, localização conhecida]
  • S. Miguel [localização conhecida]
  • Albergaria [localização conhecida]



(1) Limites circunstanciados do perímetro florestal da Serra do Gerês,

1. Limite sul caminhando de oeste para Leste: marco geodésico do Escuredo; marco triangulado do Françoz; marco geodésico da Pedra Bella.

2. Limite a nascente caminhando do sul para norte: marco geodésico da Pedra Bella; marco geodésico do Veregeiro; marco geodésico do Junco; marco triangulado do Pé de Salgueiro; desde o ´Pé de Salgueiro até ao marco do Borrageiro, águas vertentes do rio do Gerês; marco geodésico do Borrageiro; marco geodésico das Albas; marco triangulado do Cabeço Cova da Porca; marco geodésico da Cidadelhe; marco triangulado da Cesta do Pássaro; marco triangulado do Alto do Pássaro; marco triangulado de Lamas do Homem; marco triangulado dos Carris; marco triangulado da Cabreirinha; marco triangulado do Altar dos Cabrões.

3. A norte caminhando par oeste pela raia de Espanha: marco triangulado do Altar dos Cabrões; marco triangulado do Outeiro da Meda; marco triangulado da Lage do Sino; marco triangulado do Lajão; marco triangulado da Lage da Cruzes; marco triangulado da Bella Ruiva; marco triangulado da Cruz do Pinheiro; marco triangulado do Alto de Negrellos; marco triangulado da Portela do Homem; marco triangulado de Chão de Calvos; Marco triangulado de galo de Calvos; marco triangulado do Alto do Salgueiro; marco triangulado da Cruz do Touro;  marco geodésico das Eiras.

4. A nascente caminhando de norte para sul: marco geodésico das Eiras, águas vertentes pelo talweg [i] do Rio Parrade; Rio Parrade até ao seu encontro com o Rio Homem; Rio Homem em direção à sua foz até ao Rio Tirliron ou Águas de Mós; Talweg do Rio Tirliton até ao marco geodésico Pé de Cabril; marco geodésico de Mesas; marco geodésico de Junceda; marco geodésico de Lamas; marco geodésico do Escuredo.


[i] talweg (talvegue):a linha na qual o último veio d’água seguiria no leito completo de um rio caso este estivesse em seca gradual até finalmente desaparecer completamente.»

[fonte Manuel de Azevedo Antunes, Vilarinho da Furna - Memórias do Passado]

(2) Atendendo que as éguas e cavalos andavam ao feirio a existência de curral/cabana seria desnecessária. Assim, Jorge Dias estaria a fazer uma indicação de zonas de pasto. No entanto, como a listagem Manuel Azevedo Antunes,  que se terá essencialmente preocupado com as cabanas, refere alguns destes locais não deve ser excluída a existência de cabanas em alguns deles.

(3) Atendendo ao que parece ter sido o critério de listar apenas os currais com cabanas, mesmo quando o topónimo não deixa dúvidas sobre a localização, são estão considerados como "localização conhecida" não é conhecida a existência de cabana.

Thursday, June 25, 2015

O menir Marco de Anta - Germil (Ponte da Barca)

Numa recente caminhada pela Serra Amarela comprovei como é importante estarmos atentos aos pormenores da paisagem. As serras do PNPG guardam muitos segredos e é bom manter a curiosidade. Haverá sempre alguém com quem possamos aprender e felizmente vivemos uma época em que a partilha de informação está facilitada.

É por isso que gosto de caminhar com companheiros que associam ao exercício físico outras componentes. O João Vieira, aka Maka, e o Fernando Fontinha , aka Truka, são dois desses companheiros. Caminhar com eles é sempre mais do que ir e voltar. Há sempre qualquer coisa de descoberta, que tanto pode ser a exploração de um caminho de uma carta antiga como a procura de um local perdido na memória do tempo. Como eu gostam de interpretar a paisagem e saber mais sobre os locais por onde caminham.

 Marco de Anta - face virada a sul
Marco de Anta - face virada a norte
Marco de Anta - face virada a este 
(fotografia de Maka)

A surpresa apareceu-nos numa portela junto a Carvalhinha e na forma de um marco cheio de gravações em todas as faces. Inicialmente, devido à sua localização numa portela e perto dos limites dos concelhos de Terras de Bouro e Ponte da Barca, julguei tratar-se de um antigo marco divisório (ou de termo).

vista sobre o marco

Mais tarde, na ASSOCIAÇÃO PÉD'RIOS (Germil), informaram-me  que se trataria de um vestígio do megalítico e  a toponímia registada na carta nº30, Marco de Anta e Lomba de Anta, parecia confirmar essa informação. Infelizmente não me conseguiram dar mais elementos.

localização do Marco de Anta (carta nº30)

No relatório de caracterização do património histórico-arqueológico do PNPG, parte do processo de revisão do POPNPG, não encontrei qualquer informação sobre o Marco de Anta.

No site do PR Megalitismo de Britelo (PNPG) encontrei uma referência genérica ao Megalitismo na Serra Amarela:
Toda a serra Amarela foi ocupada desde tempos remotos, conhecendo-se hoje vestígios dessa ocupação. Da Idade do Ferro ficaram vestígios do castro da Ermida; da época romana encontramos os povoados de Bilhares, da Torre Grande e do Cabeço do Leijó e a estátua conhecida por Pedra dos Namorados. Em Britelo são as necrópoles megalíticas (conjunto de monumentos funerários) que assumem um maior destaque e cujos diferentes núcleos poderá conhecer. 
Finalmente, num artigo publicado na Revista de Ciências  Históricas, Universidade Portucalense, Vol. III, 1988, pp 11-24: "O Menir de Marco de Anta (Ponte da Barca), de Silva, E.J.L.; Silva, E.M.M.; Ribeiro, J.D.A., encontrei a informação que buscava sobre o local.

De acordo com o autores, o marco poderá ter sido em épocas recentes aproveitado para balizar os limites de territórios e importava comprovar se o menir terá tido sempre a sua implantação atual. No entanto, tudo aponta que seja pré-histórico e que tenha sido objeto de culto litolátrico.

As cruzes, ainda que por vezes apareçam ligadas a marcas territoriais ou como símbolos de cristianização, num esconjuro de cultos pagãos,  serão no caso cruciformes ligados à arte rupestre de ar livre, de cunho pré-histórico. Até porque em algumas faces também são visíveis alguns "fossetes" que reforçam a datação como sendo do megalítico.

Nas pesquisas encontrei ainda referências a um monolítico designado por "Pedra das Cruzinhas" que apresenta semelhanças enormes nas gravações cruciformes. Sobre a Pedras das Cruzinhas considera-se que:
A associação de motivos, cruciformes simples, covinhas e antropomorfos, que se observa na Pedra das Cruzinhas não constitui novidade, sendo muito comum na arte rupestre do território continental, principalmente na chamada área noroeste. Porém, no “nosso” exemplar não se observam outros motivos comuns em conjuntos similares, como antropomorfos em phi, antropomorfos com mãos figuradas, cruciformes com base triangular ou circular, formas geométricas variadas, ferraduras, podomorfos e alfabetiformes, indicando a reduzida diversidade iconográfica da Pedra das Cruzinhas e, quiçá, uma menor dispersão temporal. Contudo, a monotonia que lhe poderia ser conferida pelo domínio dos cruciformes simples é quebrada pelas inúmeras coalescências, laterais e verticais, entre esse tipo de figuras, aspecto comum a muitos outros conjuntos estudados no território português.
Quando e que funções desempenhou a Pedra das Cruzinhas com as suas múltiplas gravações? Esta é a pergunta de resposta mais difícil. 
Quanto à sua antiguidade seria sensato escudarmo-nos nas indecisões e nas disparidades de opiniões (22) acerca do tempo das figuras cruciformes, ora consideradas como representações antropomórficas, pré-históricas ou proto-históricas, ora assumidas como marcas medievais ou modernas, seja de cristianização de sítios de antigos cultos pagãos, seja de materialização e confirmação de limites de territórios. 
No caso da Pedra das Cruzinhas não rejeitamos esta última hipótese, a de ter servido como marca de termo, mas apenas como sucedâneo ou reutilização moderna, resultante da circunstância da pedra se situar em local sobre o qual foi estabelecido o limite administrativo que hoje separa a Guarda do Sabugal. E o facto de não termos datas, que melhor poderiam indicar momentos de confirmação dessa fronteira, não impede que a Pedra das Cruzinhas tivesse desempenhado tal função. As confirmações de limites, documentadas em inúmeros locais, alguns dos quais já citados neste texto, têm um exemplo bem próximo, no concelho da Guarda, no sítio do Fontão, num conjunto de afloramentos gravados com cruciformes, três datas (1700, 1699, 1855) e uma legenda nomeando a freguesia de Vela (Caninas et al, 2008). 
 A densa carga gráfica inscrita na Pedra das Cruzinhas tem de ter outra explicação primordial, talvez fortemente ritual. Seria tentador estabelecer, também aqui, uma periodização dos grafismos, invocando uma antiguidade pré-histórica (tardia) ou proto-histórica para o antropomorfo ictifálico, juntamente com as covinhas (23) situadas no topo da peça, remetendo os restantes cruciformes para momento posterior. Invocar o contexto proto-histórico (24), expresso na rede de povoamento referida no início e na proximidade do sítio (atalaia?) do Cabeço da Figueira, ao qual se acederia passando junto da Pedra das Cruzinhas, também não é fundamento suficiente na atribuição de cronologia proto-histórica ao monumento em apreço. A prudência aconselha-nos a procurar resposta a estas questões mediante a escavação do local de implantação da Pedra das Cruzinhas, na busca de outros dados, bem como do montículo situado nas proximidades, para confirmar se corresponde a uma sepultura pré-histórica.
 No caso do Marco de Anta a toponímica adjacente (Lomba de Anta) sinaliza a existência próxima de uma sepultura pré-histórica.

desenho técnico do menir - Maria Teresa Fonseca


De Germil a Mata Porcos

Desta vez o convite do Vamos Ali era para desde Germil caminhar até a Mata Porcos/Casarotas: "Uma volta circular de 15,5 Km de extensão e 870m acumulados de lindíssimas paisagens". Um percurso "moderado, com direito a refilar e resmungar."

Atendendo ao calor previsto aconselhavam muita água e deixavam o aviso que o "este trilho é para fazer nas calmas".

No final acabaram por ser 16,43 Km (lineares), quase 18 km reais, mas o calor foi suavizado pela brisa que ia soprando. A minha "muita água" é que se fez pouca e tive que recorrer às reservas alheias. É o que dá andar a faltar aos treinos.

percurso realizado (Maka): http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=10024611


um T1 com vista para a serra a experimentar
 

lá ao fundo o Castelo de Aboim da Nóbrega
 

O Truka a confirmar o trilho
 
Era por aqui que Germil ia à feira a Terras de Bouro (Moimenta) 
 

perspetiva sobre Brufe
 

ainda Brufe

perspetiva sobre Covide

novamente Brufe (desde Penedinhas)
 

vista sobre os prados de Carvalhinhos
 

vista sobre os prados de Carvalhinhos
 




ao  fundo é Carvalhinha


há gado na serra

muhh 

esconde-te marela que os tipos estão cheios de fome

já disse ao seu colega que não sei o caminho
 

estes gajos são piores que os tipos da meo e da nos
aparecem sempre na hora das refeições


Marco de Anta
 

Marco de Anta
 

Marco de Anta

perspetiva sobre Toutas e Peijoqueiras
 

ainda a perspetiva sobre Toutas e Peijoqueiras

perspetiva sobre a Chã de Cima

ainda a perspetiva sobre a Chã de Cima
 

com o GR Trilho da Serra Amarela desce por ali
 

olha o passarinho

Casarotas 1

Casarotas 2

Casarotas 3
 















os currais da Ermida
 
perspetiva sobre Poulo do Vidoal

o grupo


 
Carvalinha
 
novamente os currais da Ermida

novamente os currais da Ermida

novamente os currais da Ermida
 

ali há caminho