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Thursday, August 30, 2007

Lobos e outras histórias


Avistar um lobo era algo que desejava há muito. Sabia que as probabilidades eram reduzidas. Os lobos são animais muito inteligentes e raramente se deixam avistar. Numa actividade da Ecotura, percorri o Planalto de Castro Laboreiro com Pedro Alarcão e a Anabela Moedas, autores do documentário sobre o Lobo da RTP. Nessa ocasião escutei algumas das histórias sobre o lobo e sobre a gravação do seu documentário. Fiquei a conhecer um pouco melhor o lobo, a sua organização social, os mitos e a sua relação com o homem. Aprendi também a respeitá-lo mais. No último ano oor diversas vezes encontrei vestígios de lobo nas caminhadas. E numa caminhada da AAEUM um colega avistou um lobo, mas estava muito distante para também o ver. Sábado passado a minha sorte mudou.

Numa caminhada de reconhecimento do planalto de Castro Laboreiro, com um pequeno grupo do UPB, vi o meu primeiro lobo. A nossa ideia era apenas reconhecer um terreno fácil para uma caminhada nocturna, mas aproveitámos também para subir ao Giestoso. No regresso, em terreno aberto, um colega dá o alerta. Um pouco à frente, um lobo juvenil tinha saltado e fugia velozmente. Acompanhei-o por entre o mato até desaparecer numa lomba do terreno. Nunca o vi por inteiro. Apenas o deslumbrei por entre a vegetação. Mas o dia já estava ganho.

No planalto também avistámos o voo de duas aves que nos pareceram águias. As fotos que tirei não permitem a sua identificação.

O pré-programa da caminhada nocturna metia uma feijoada oferecida por um casal do UPB , o Coura e a Tília. A festa prometia ser rija. No final da tarde a chuva parecia querer estragar a programa. O jantar, que seria na zona de lazer de Lamas de Mouro, foi transferido para um café de uns senhores simpáticos que nos abriram as portas. A meio do jantar já agradecia a chuva porque me parecia impossível caminhar depois da feijoada. Só que chuva parou e a vontade de colocar as botas no trilho foi superior. Escolhemos um trilho mais fácil e fomos caminhar pelos estradões do planalto. No único momento de hesitação valeu-nos encontrar um jipe que percorria o planalto. Algumas indicações e rapidamente nos orientámos. No final ainda ficámos um pouco à conversa até o cansaço nos aconselhar a regressar.

Chegar a Braga foi mais complicado. O cansaço era grande. Eu inicialmente tinha decidido pernoitar em Lamas de Mouro, mas a chuva fez-me mudar de planos. Cheguei a casa com a luz do dia.

Thursday, August 31, 2006

Trilho Castrejo


O dia começou relativamente cedo, mas as tarefas de deixar o parque de campismo e tomar o pequeno-almoço levaram o seu tempo. Quando chegámos a Castro Laboreiro já deviam passar das 10h. Estacionámos os carros e começámos a preparar as mochilas.

Na saída encontrei algumas pessoas conhecidas que se preparavam para fazer um percurso de canyoning pelo Rio Laboreiro. É uma actividade que gostava de experimentar. Aproveitei para verificar as condições de segurança da actividade. Conheço a empresa, Escola Rafting do Atlântico, assim como alguns dos monitores e monitoras, antigos alunos da universidade, que já encontrei algumas vezes nas viagens da neve da Universidade do Minho.

O Trilho Castrejo é um PR homologado, marcado originalmente pela CIMO (Clube Ibérico de Montanhismo e Orientação) em 1999. O desdobrável era de 2001 e como iríamos descobrir nem sempre era fácil de seguir os “antigos caminhos que ligavam as Brandas às Inverneiras e no caso de estes estarem marcados decorre por caminhos alternativos. São caminhos que remontam à idade média dos quais ainda restam algumas pedras de calçadas, pontes de arco, antigos.”

Iniciámos o trilho, bem mais tarde do que pretendíamos, por um estradão não muito bonito de fazer (não seria errado pensar numa alternativa a esta marcação). As marcas também não são fáceis de seguir e acabámo-nos por nos desviar uns 200 a 300 metros do trilho marcado. O terreno era complicado e perdemos algum tempo. Voltámos a encontrar as marcações junto a uma pequena represa um pouco antes da inverneira Barreiro. A partir daqui seguimos numa uma calçada por bosque bonito. Encontrámos muitas casas abandonadas o que confirmava a informação que a maioria dos castrejos se fixou as suas casas das brandas, onde habitavam mais tempo. Em algumas das casas haviam ainda vestígios dos tradicionais telhados em colmo.

Tínhamos decidido almoçar na ponte depois da Assureira (inverneira), mas optámos por seguir para Curveira (inverneira) porque lá teríamos uma fonte de água. Tendo em conta a hora, depois do Bico do Patelo abandonámos o trilho em direcção a Cainheiras (inverneira), evitando as brandas Seara e Padrousouro. No regresso a casa ainda queríamos ir a umas piscinas naturais depois a Sra da Peneda, e não queríamos chegar lá muito tarde. A subida até ao Bico do Patelo é dura, e a hora a que a fizemos complicou um pouco mais. Lá de cima a vista é magnífica, vale bem a subida.

Em Varziela (inverneira), onde alguns dos UPB’s tinham ficado alojados na caminhada com a Ecotura, o trilho passa por uma ponte sobre uma ribeira que cria uma bonita piscina de águas cristalinas. Há muito tempo que sonhávamos com um pouco de água e vê-la tão perto despertou ainda mais o desejo.

Chegámos a Castro Laboreiro pelas 17h, cerca de 6 horas depois, sem muito consenso quanto aos quilómetros caminhados. O trilho terá na totalidade uns 17 a 18 km, mas não devemos ter caminhado mais do que 14 km. O dia quente, as férias e algumas hesitações no trilho justificam a média baixa. É um trilho exigente mas muito bonito, ainda que esteja mal marcado em certos locais. Não visitámos as brandas que ficam para uma outra vez.

A procura das piscinas revelou-se complicada e acabámos por nos refrescar na praia fluvial de Arcos de Valdevez. Um banho merecido. O corpo já não está a habituado a ser castigado desta forma. As férias deixam as suas marcas e o calor era muito.

Fonte: PR3 Trilho Castrejo
Fotos: http://caminhadas.myphotoalbum.com/

Monday, August 28, 2006

Noites de Verão ao Luar


Um mau cálculo do tempo de viagem, associado ao enorme cortejo de um casamento em que me vi envolvido, fez-me chegar atrasado ao local de encontro Como na zona não há rede de móvel não havia forma de me contactarem, assim como eu avisar do meu atraso. Eu queria subir ao castelo e tinha a ideia, errada, que seriam uns 2o minutos a subir.

Encontreios-os numa esplanada junto ao miradouro para o castelo. Apresentadas as desculpas, tive tempo para visitar o castelo. A subida é muito mais rápida do que eu imaginava e ainda tive a companhia da Jana. Ela queria telefonar e tinha descoberto que lá em cima tinha melhor rede. A subida demora uns 10 minutos. É fácil, ainda que tenha alguns obstáculos que não são para todas as idades. Lá em cima a vista é soberba. Um ninho de águia inexpugnável.

Encontramo-nos com o Pedro Alarcão na zona de lazer da Várzea, onde a Ecotura possui as box para os cavalos. Lá estava mais 3 participantes de Lisboa. Uma delas era uma realizadora de BD que estava a prepara uma animação sobre o lobo. Saímos, ainda nos nossos carros, para uma branda onde começamos a caminhar.

Ao longo do percurso o Pedro ia dando explicações sobre a zona e as suas tradições. Naturalmente, o lobo era uma das nossas grandes curiosidades. Foi-nos relatando pormenores do seu trabalho, episódios da gravação do documentário para a RTP e não só.

Os relatos contadas nem sempre são alegres. Já perdeu animais devido ao veneno, mas é uma pessoa empenhada em mudar pela positiva. Quer fazer com que as pessoas aceitem o lobo. Está empenhado, defende que o Ecoturismo é a grande oportunidade para a defesa da alcateia. Ele e a esposa apostaram numa mudança de vida radical.

A primeira paragem foi numa pedra com gravuras rupestres, em que o Andarilho ajudou na explicação científica. O Planalto de Laboreiro tem vestígios de ocupação humana muito antigos só que a paisagem foi pouco modificada pelo homem. Alguns muros e nada mais. É magnífico.

Ao caminhar foi-nos explicando o funcionamento das alcateias, a sua organização social, estratégias de caça, etc. É surpreendente a semelhança da sua estrutura familiar com a do homem. Explicou-nos também as razões do mito do lobo como animal feroz. Há poucos relatos de ataques de lobos ao homem, mas ele continua a ser o lobo feroz. As causas são muitas. É naturalmente um animal selvagem mas não é perigoso para o homem.

Pouco antes do local do jantar, encontrámos garranos em liberdade. Eram animais muito bonitos, em conjunto com um grupo que avistei perto do Cocões de Coucelinho (Gerês), foram os garranos mais bonitos e musculados que vi. Nada parecidos com os cavalos de ventre inchado a que associámos os garranos. O Pedro explicou-nos que isso deve-se à sua alimentação e exercício. Na sua opinião o garrano é um excelente cavalo. A Ecotura praticamente só tem garranos e num futuro próximo pretende reforçar essa aposta.

No cimo da colina a esposa de Pedro, Anabela Moedas, esperava-nos com a mesa posta. A visão foi magnífica, demorámo-nos um pouco a saborear os petiscos. Foi a primeira vez que tive uma refeição destas no meio de uma caminhada. É uma boa experiência.

Depois dos petiscos veio a”aula” de astronomia dada por Pedro e Anabela. Observar as estrelas pode ser algo engraçado. Eu não tenho esse hábito e tive alguma dificuldade em algumas constelações mas foi divertido.

De seguida visitámos mais uma anta e iniciámos o regresso. Junto aos carros ainda ficámos a conversar até depois das 3 da manhã. No regresso meti mais uma vez pela Peneda. A estrada de noite é impressionante. Avistei uma raposa e dois animais que depois identifiquei como ginetas. O regresso foi complicado por causa do sono mas valeu a pena. Numa próxima fico a dormir por lá.