Esta semana todos os que gostam da montanha foram surpreendidos com a notícia dos 3 montanheiros perdidos na Serra do Gerês. Os jornais, as tv´s e os outros órgãos de comunicação de divulgação nacional deram a esta notícia um largo destaque. Destaque que possivelmente ultrapassou em muito o interesse local da notícia. Portugal é assim, o cheiro a drama dá às mais simples coisas uma notoriedade descabida. E o pior é que esta atenção não resulta em maior qualidade da informação, apenas amplia ao absurdo as poucas informações iniciais. É o circo mediático. O pior espectáculo do mundo.
Desde a primeira hora que fiquei com sérias dúvidas sobre o que ouvia. As referências geográficas não faziam qualquer sentido. Percebi nas informações cruzadas qual a actividade que o grupo estaria a fazer, mas apenas porque sei quais os percursos normalmente realizados na zona. Nada nas primeiras notícias permitia tirar essa conclusão. Só quando a rede informal começou a funcionar a qualidade da minha informação melhorou. Começaram-me foi a surgir outras dúvidas.
Não quero abordar se os 3 montanheiros tinham experiência, ainda que saiba que os 3 são experientes e com formação em montanha. Tão pouco me interessa a questão se poderiam estar ali, pois estas questões, ainda que pertinentes, induzem ruído sobre aquilo que ninguém do circo percebeu ou questionou.
A questão é que os 3 montanheiros informaram às 16h00 a sua localização em coordenadas GPS, o que os geo-referenciava com um pequeno erro. Na montanha os 3 até poderiam não conseguir localizar as coordenadas numa carta ou mapa, mas a equipa de resgate desde essa hora teria uma localização muito aproximada do grupo (Pico da Nevosa 1500 metros). E se alguma dúvida existisse os 3 estiveram sempre contactáveis por telemóvel. Tanto que pelos vistos um jornalista conseguiu ligar com o grupo perto das 23h00. Ou seja, a equipa de resgate sempre soube que o grupo estaria a menos de uma hora das minas dos Carris (1450 metros). Local servido por um estradão de apenas 9 kms até à estrada Gerês-Portela do Homem. Logo seria sempre o melhor local para centrar o socorro. A razão porque optaram por centrar o socorro nas Lagoas do Marinho (1150 metros), a umas 3 horas do local é demasiado estranha. Até porque até ao local teriam que subir os 350 metros de diferença de cota por terrenos certamente alagados. A verdade é que no Gerês conhecendo-se a localização desde as 16h00 de um grupo, por muito mau que esteja o tempo, não se compreende a razão de os obrigar a uma pernoita naquelas condições. E muito menos se percebe as razões de terem mobilizado um helicóptero, um meio caro e completamente inadequado para o as condições meteorológicas.
Tenho para mim que o que este caso evidenciou foi uma total impreparação para estes socorros. Coisa que não estranha, porque na emergência tudo deve estar planeado e testado em simulacros. Desconheço se o PNPG possui planos de emergência e teria gostado que algum jornalista se questionasse sobre isso. Propositadamente não faço aqui qualquer interpretação dos factos. Prefiro registar a(s) dúvida(s). Mas a rede informal continua a funcionar e a permitir-me tirar conclusões.
Interessante foi também ler alguns comentários às notícias electrónicas. O Portugal sentado reagiu com um furor despropositado. Exigia-se facturas, punições. Os 3 ao Pelourinho, já - pediam contra os jovens "imbecis" que se perderam. E claro que aqui o facto de um ser um "jovem" de 40 anos era irrelevante. É jovem porque faz coisas que o Portugal sentado não faz. O que diriam essas pessoas ao verem famílias inteiras a caminhar pelos Parques Naturais fora das nossas fronteiras? Como chamariam ao sexagenário que vi descer do Monte Perdido? Estrangeiros, coisas para estrangeiros - escreveria o Portugal sentado. Claro que quando quiser chamar uns turístas o Portugal à mesa do orçamento dirá que temos condições únicas para pedestrianismo. Um clima, umas paisagens magníficas - diz um Portugal que acha que isso são coisas paros outros - Uns malucos, doidos perigosos a quem não temos que pagar as asneiras.
Sobre este caso li as maiores "asneiras". Muitas delas ditas por responsáveis que deviam saber calar. Percebi, mais uma vez, na leitura cruzada das diferentes notícias a falta de rigor da informação publicada. Os jornalistas preferem citar-se uns aos outros a questionar os factos. Recordo uma expressão lida algures sobre a guerra: "na guerra a primeira vitima é sempre a verdade". Chego vezes demais à conclusão que nesta verdadeira guerra de audiências, tiragens e resultados financeiros, no campo da informação jaz uma vitima desconhecida. Aparentemente este foi mais um dos casos. Feliz ficou o Primeiro Ministro porque os telejornais mostraram os novos helicópteros. Podem ter chegado tarde para os incêndios, mas chegaram a tempo de se mostrarem num salvamento onde não faziam falta.
Desde a primeira hora que fiquei com sérias dúvidas sobre o que ouvia. As referências geográficas não faziam qualquer sentido. Percebi nas informações cruzadas qual a actividade que o grupo estaria a fazer, mas apenas porque sei quais os percursos normalmente realizados na zona. Nada nas primeiras notícias permitia tirar essa conclusão. Só quando a rede informal começou a funcionar a qualidade da minha informação melhorou. Começaram-me foi a surgir outras dúvidas.
Não quero abordar se os 3 montanheiros tinham experiência, ainda que saiba que os 3 são experientes e com formação em montanha. Tão pouco me interessa a questão se poderiam estar ali, pois estas questões, ainda que pertinentes, induzem ruído sobre aquilo que ninguém do circo percebeu ou questionou.
A questão é que os 3 montanheiros informaram às 16h00 a sua localização em coordenadas GPS, o que os geo-referenciava com um pequeno erro. Na montanha os 3 até poderiam não conseguir localizar as coordenadas numa carta ou mapa, mas a equipa de resgate desde essa hora teria uma localização muito aproximada do grupo (Pico da Nevosa 1500 metros). E se alguma dúvida existisse os 3 estiveram sempre contactáveis por telemóvel. Tanto que pelos vistos um jornalista conseguiu ligar com o grupo perto das 23h00. Ou seja, a equipa de resgate sempre soube que o grupo estaria a menos de uma hora das minas dos Carris (1450 metros). Local servido por um estradão de apenas 9 kms até à estrada Gerês-Portela do Homem. Logo seria sempre o melhor local para centrar o socorro. A razão porque optaram por centrar o socorro nas Lagoas do Marinho (1150 metros), a umas 3 horas do local é demasiado estranha. Até porque até ao local teriam que subir os 350 metros de diferença de cota por terrenos certamente alagados. A verdade é que no Gerês conhecendo-se a localização desde as 16h00 de um grupo, por muito mau que esteja o tempo, não se compreende a razão de os obrigar a uma pernoita naquelas condições. E muito menos se percebe as razões de terem mobilizado um helicóptero, um meio caro e completamente inadequado para o as condições meteorológicas.
Tenho para mim que o que este caso evidenciou foi uma total impreparação para estes socorros. Coisa que não estranha, porque na emergência tudo deve estar planeado e testado em simulacros. Desconheço se o PNPG possui planos de emergência e teria gostado que algum jornalista se questionasse sobre isso. Propositadamente não faço aqui qualquer interpretação dos factos. Prefiro registar a(s) dúvida(s). Mas a rede informal continua a funcionar e a permitir-me tirar conclusões.
Interessante foi também ler alguns comentários às notícias electrónicas. O Portugal sentado reagiu com um furor despropositado. Exigia-se facturas, punições. Os 3 ao Pelourinho, já - pediam contra os jovens "imbecis" que se perderam. E claro que aqui o facto de um ser um "jovem" de 40 anos era irrelevante. É jovem porque faz coisas que o Portugal sentado não faz. O que diriam essas pessoas ao verem famílias inteiras a caminhar pelos Parques Naturais fora das nossas fronteiras? Como chamariam ao sexagenário que vi descer do Monte Perdido? Estrangeiros, coisas para estrangeiros - escreveria o Portugal sentado. Claro que quando quiser chamar uns turístas o Portugal à mesa do orçamento dirá que temos condições únicas para pedestrianismo. Um clima, umas paisagens magníficas - diz um Portugal que acha que isso são coisas paros outros - Uns malucos, doidos perigosos a quem não temos que pagar as asneiras.
Sobre este caso li as maiores "asneiras". Muitas delas ditas por responsáveis que deviam saber calar. Percebi, mais uma vez, na leitura cruzada das diferentes notícias a falta de rigor da informação publicada. Os jornalistas preferem citar-se uns aos outros a questionar os factos. Recordo uma expressão lida algures sobre a guerra: "na guerra a primeira vitima é sempre a verdade". Chego vezes demais à conclusão que nesta verdadeira guerra de audiências, tiragens e resultados financeiros, no campo da informação jaz uma vitima desconhecida. Aparentemente este foi mais um dos casos. Feliz ficou o Primeiro Ministro porque os telejornais mostraram os novos helicópteros. Podem ter chegado tarde para os incêndios, mas chegaram a tempo de se mostrarem num salvamento onde não faziam falta.
mapa com os pontos citados
