Wednesday, October 31, 2007

Duas ideias da última caminhada com o UPB


A primeira

As grandes obras, no caso da barragem de Paradela, possuem sempre efeitos laterais sobre a paisagem para além dos óbvios. O que não deixa de ser uma boa oportunidade para reflectir sobre os efeitos de outras que se anunciam. Quando falamos de uma barragem pensamos logo nas terras que vão ser submergidas, nas casas que vão desaparecer, mas esquecemo-nos de reflectir nos efeitos silenciosos que essas obras terão. Não sou contra o progresso. Aceito-o e defendo-o. Recuso a hipocrisia urbana de quem quer os montes para coutada espiritual e abandona os rurais ao triste destino de se manterem pobres na terra ou participarem no êxodo. Simplesmente não compro o progresso como meramente benéfico. Fico entre Paris e Tormes, da Cidade e as Serras de Eça de Queiroz. Nem só as luzes do progresso, nem apenas o retiro edílico e bucólico.

Apercebi-me melhor desses efeitos quando fui consultar a carta antiga da zona percorrida pela caminhada. A barragem não marcou a paisagem apenas com a albufeira. Forçou ao abandono de muitos campos e prados a que se acediam por caminhos agora submersos. Não posso afirmar que a barragem tenha sido a única razão, mas com a excepção da zona junto ao lugar da Gafaria e alguns campos próximos de Sirvozelo, a margem direita da albufeira é uma zona abandonada.

A segunda

A história dos locais não se lê e aprende apenas nos livros. Lê-se e aprende-se também nos pequenos indícios, nas pequenas conversas com os pastores, na história que a senhora da aldeia nos conta, etc.. É por isso que procuro sempre falar com algumas pessoas dos locais por onde caminho.

Nesta caminhada a existência de algumas casas num lugar ermo poderia ser apenas mais uma curiosidades da montanha. O nome do local dá no entanto a pista para a sua origem, Gafaria. Este local foi uma antiga leprosaria medieval. A sua origem está perfeitamente evidenciada no nome. Na verdade a designação dos lugares é uma vezes uma das melhores pistas sobre a sua origem ou antiga função. Ainda que por vezes se deva procurar no português antigo os reais significados. Um exemplo de uma leitura não imediata: Prados da Messe = Prados do centeio.










Tuesday, October 23, 2007

Novamente o castelo de Bouro

Gosto ler sobres os locais onde caminho. É uma forma de aproveitar melhor as caminhadas que faço. Uma forma de ficar mais atento para pequenas coisas que me poderiam passar despercebidas. Numa dessas leituras fiquei com algumas dúvidas sobre a localização do castelo de Bouro. Eu já o tinha procurado numa excursão magrugadora e solitária desde a Casa dos Bernardos. E, ainda que não tivesse encontrado qualquer vestígio, confiava ter estado lá a contemplar a Serra do Gerês ao sol de Abril. Nessa manhã, sentado numa fraga a trincar uma maça, perdi-me nos recortes do horizonte. Locais que então desconhecia e que agora adoro percorrer. Quando regressei para almoçar a Campo dos Abades, ter encontrado o castelo ajudou a que percebessem melhor a excentricidade de quem madruga para percorrer os montes.

Recentemente, convencido que o Castelo e Castro seriam designações do mesmo sítio arqueológico, comecei a localizá-lo num outro local, ainda que próximo do primeiro. Uma passagem das Memórias Paroquiais de 1758 e uma descrição do castelo encontrei na web sustentavam esta minha nova certeza. Uma das fontes localizava-o sem qualquer dúvida no Piorneiro e outra descrevia um castro, designado-o também por fortaleza, no mesmo local. Escrevi isso aqui e disse-o aos meus companheiros de caminhada. Só que estava enganado.

O castelo de Bouro e o Castro são dois sítios arqueológicos distintos, ainda que muito perto um do outro. Do arqueólogo Luís Fontes, que em 2003 o estudou para a CM Terras de Bouro, recebi informação bastante clara sobre um e outro. E, como acredito que, tal como eu, muitos se interessam por conhecer os montes que caminhamos, transcrevo parte dessa informação.



O Castro

"Nas plataformas superiores, definidas por paredões que fecham as aberturas entre penedias e dos quais se conservam vestígios, recolhem-se fragmentos de cerâmica grosseira e observam-se aglomerações de pedras, que poderão corresponder a ruínas de construções.Trata-se dos vestígios de um povoado de altura, que se pode considerar grosseiramente fortificado e cuja ocupação, pela sua tipologia formal e pela ergologia dos materiais cerâmicos, por se vincular com uma exploração de recursos de modelo pastoril e possuir como contexto arqueológico as mamoas de Chã da Nave, se poderá situar entre os IV e II milénios a.C.. Alguns autores situaram aqui, erradamente, o castelo medieval de Bouro.

Escolhido como marco para limite do couto do mosteiro de Santa Maria de Bouro, o “Castro mao”, como aí é referido, faz parte do imaginário colectivo das populações vizinhas, que o apreendem como algo estranho, misterioso, relacionado com uma ocupação longínqua com a qual não se identificam,originando efabulações em torno da sua inacessibilidade e dos riscos da sua escalada - a este propósito é notável a descrição feita pelo pároco de Chamoim,José Coelho da Silva, em resposta ao questionário de 1758 (vulgo MemóriasParoquiais)."


Como uma das minhas leituras, que erradamente interpretei, foi a "notável a descrição feita pelo pároco de Chamoim", logo que me seja possível procurarei publicar-la em conjunto com a gravura que a acompanha.


O castelo de Bouro

"O Castelo, como é conhecido localmente, é a elevação que remata o esporão do maciço do Piorneiro que se estende mais para nascente, sobranceiro ao profundo vale do Ribeiro de Freitas. Com 890 metros de altitude, o monte é coroado porum denso caos de blocos graníticos de grandes dimensões, que no topo se sobrepõe formando abrigos e lapas naturais. Separado do volume maior da serra pela Chã do Castelo, a Oeste, e praticamente inacessível por qualquer outra das vertentes, possui uma implantação de grande espectaculosidade, proporcionada pela visão esmagadora do imponente maciço da serra do Gerês, que lhe fica fronteiro. Daí se domina uma ampla paisagem sobre o curso alto do Rio Homeme sobre todo o vale do Ribeiro de Freitas, que estabelece a ligação natural entreas bacias dos rios Homem e Cávado.

Na mais ampla plataforma superior, circuitada por uma cerca formada por paredões que fecham as aberturas entre penedias e dos quais se conservam vestígios significativos, recolhem-se fragmentos de cerâmica doméstica e observa-se o resto dos alicerces de uma construção de planta quadrangular,encostada à massa rochosa.

Trata-se dos vestígios de uma fortificação que, pela tipologia formal e pela ergologia dos materiais cerâmicos, e ainda pela sua estreia ligação ao caminho carreteiro, perfeitamente estruturado, que liga Seara a Covide e lhe dava acesso, se pode classificar como castelo roqueiro, característico dos primórdios da nacionalidade. Considerando as suas características construtivas, a implantação geo-estratégica e localização relativa e as fontes medievais que lhe fazem referência, seria este o castelo de Bouro.

Para a aceitação de que o castelo de Bouro corresponde ao local e vestígios acima descritos concorrem, não só as características tipológicas, comuns a tantos outros castelos que se ergueram nos cumes dos montes do Entre Douro-e-Minho, mas também o facto de as população das aldeias próximas assim o designarem, distinguindo-o claramente da elevação do Crasto, que lhe fica a Sudoeste, e sobretudo o contexto histórico-arqueológico em que se insere, em que releva o estar fora do couto do mosteiro de Santa Maria de Bouro e ser servido por uma via própria.

A sua edificação deverá datar do século XII, ao tempo das primeiras iniciativasde Afonso Henriques para afirmar a independência do reino de Portugal. Nas Inquirições de 1220 e 1258 já é amplamente referenciado, evidenciando-se as pesadas obrigações e encargos de praticamente todas as freguesias do Julgado de Bouro relativamente à manutenção do castelo.

Com a Portela da Amarela e a Portela do Homem, o castelo de Bouro constituíao vértice de um triângulo de vigilância e defesa da importante via decomunicação de origem romana que penetrava no interior galego, a célebre“Jeira” (ou Geira), a via XVIII do itinerário de Antonino que se manteve em usoaté bem entrada a Época Moderna.

O castelo, uma construção elementar aparentemente estruturada à base de madeira, que tinha que ser refeita praticamente todos os anos, terá conhecido uma ocupação recorrente mas não permanente, servindo sobretudo em períodosde conflito. Nunca foi, portanto, um castelo residencial, onde habitasse o senhorda Terra, mas antes uma instalação estritamente militar, de ocupação eventual, relacionada com um sistema regional de defesa da fronteira com a Galiza. Comos desenvolvimentos modernos da arte da guerra, nomeadamente a difusão do uso da artilharia a partir do século XVI, o castelo de Bouro deixou de ter qualquer importância militar, devendo datar desse período o seu abandono."

Thursday, October 18, 2007

PR2 - Trilho do Castelo (Terras de Bouro)


O dia amanheceu em tempo de Verão tardio. O Sherpa foi o primeiro a chegar a Terras de Bouro. O Passo Largo, a Senhora do Monte, o Quarto Crescente, a Lua Nova (a mais nova UPBotista a caminhar) e o Louro (o escrevedor nomeado voluntário) chegaram um pouco mais tarde ao pequeno-almoço. A Nogueira, depois de resolver um pequeno contratempo pneumático já tinha seguido para Santa Isabel do Monte e já nos esperava em Campos Abades.

Pelas 10h00 começamos a caminhar. À frente o Quarto Crescente ia anunciando as marcações. Era sempre o seu olhar atento o primeiro a descobrir as marcas do PR, um campeão no jogo do “Xacobeo”.

Primeiro por uma paisagem rural de enorme beleza. Entre as aldeias de Campos Abades e Seara, o trilho percorre velhos caminhos entre bosques e campos de lameiro. Pouco depois da Casa dos Bernardos, uma antiga granja dos frades Bernardos recuperada para turismo rural pela CM Terras de Bouro, um cão de uns caçadores resolveu juntar-se a nós. E, apesar de termos tentado que regressasse ao seu dono, só quando entendeu é nos deixou. Na saída da aldeia de Seara encontrámos algumas marcações vandalizadas, “apagadas” com tinta verde. É complicado compreender a motivação para tal, mas não foi complicado seguir o caminho.

Depois a paisagem foi de chãs elevadas, zonas de pastos percorridas por pastores e cavalos em liberdade. O Castelo que baptiza o trilho seria um castelo roqueiro há muito abandonado. A sua existência está documentada e terá sido importante no início da nacionalidade.

Almoçamos no coreto de Covide e no final deu tempo para um cafezinho. O percurso seguiu depois pela encosta a este. Primeiro por antigo caminho e depois por caminhos de pé posto. Um caminho com umas vistas fantásticas sobre a Calcedónia e vale do S. Bento da Porta Aberta. Nesta parte do percurso as marcações nem sempre foram fáceis de seguir, mas é a zona mais bonita do trilho. Novamente em Seara, novamente as marcações vandalizadas. Junto a um moinho de água foi preciso ter alguma atenção para não perder o percurso. O trilho seguiu depois por um bosque e levou-nos de regresso a Campos Abades pela antiga escola. Agora abandonada. Ao seu lado existe uma construção mais moderna, mas provavelmente da mesma forma vazia de alunos.

Regressámos aos carros e terminámos no Tosko, em Covide, a comer a bolo de chocolate da Nogueira. Uma grande caminhada, com o recorde de idades UPBotistas largamente rebaixado e com um grande campeão de “Xacobeo”.

texto publicado em Um Par de Botas

Wednesday, October 17, 2007

Na montanha com Miguel Torga

Os Serviços de Documentação da Universidade do Minho (SDUM) realizaram no passado Sábado uma caminhada que me deu um enorme prazer. Realizada em ritmo de passeio, num percurso curto entre Campo do Gerês e a vila do Gerês, a caminhada associou a leitura de textos de Miguel Torga à montanha que ele percorreu.

Inserida nas actividades dos SDUM por ocasião do Centenário de Miguel Torga, a caminhada decalcou numa anterior realizada pela CM Terras de Bouro. O percurso acessível permitiu a participação caminheiros menos experimentados, mas não defraudou os mais experientes. Em locais determinados, com a colaboração do Sindicato da Poesia de Braga, foram lidos poemas e textos retirados do Diário de Miguel Torga. Escutados naquele enquadramento os textos ganharam uma outra dimensão. Não é segredo que Torga é o meu escritor favorito. Poeta era como ele se considerava, mas a sua obra é muito mais que poesia. A sua prosa não é inferior à sua poesia. O seu Diário, que comecei a ler mais tarde, é extraordinário. Reflexões diversas sobre quase tudo e com uma actualidade impressionante. A Criação do Mundo, ainda que na primeira pessoa, é um impressionante retrato de um país. Um retrato que nem sequer escondende algumas das contradições pessoais. Obra de um canibal, como chega a reconhecer. Miguel Torga amou como poucos a paisagem de Portugal. Amou-a com os seus defeitos e misérias. Não a amou porque a idolatrava, mas porque sentia que a ela pertencia. Não a venerava no altar da história e das glórias pátrias. Amava-a carnalmente.

Foram muitos os textos lidos e não posso transcrever todos. Deixo apenas dois que ilustram bem o que pretendi salientar.


"Castro Laboreiro, 6 de Agosto de 1948

Não, não terei a hipocrisia de dizer que seria aqui o meu paraíso, aqui que não há papel, nem tinta, nem cinema, nem livrarias, nem cafés, nem nehum dos tóxicos de que necessito. O homem põe, mas a vida dispõe. A cidade é como prostitutas: o seu amor é falso, mas vence o de qualquer mulher honrada. Agora que estas pedras, estes gados, estas alturas que vivem recalcadas no meu sangue, não há dúvida. Aquele desgraçado Boileau, que pouco ou nada sabia de poesia, disse uma verdade imorredoira:

Chassez le naturel, il revient au galop.

Mal apanho uma aberta, sou como um galgo pelos montes acima. Não posso dizer o que sinto, nem o que procuro. Mas as pedras parecem-me fofas debaixo dos pés. A parte mais íntima de mim encontra-se e expande-se. Citadino e perdido, sou na verdade uma montanha comprimida."


"Coimbra, 7 de Dezembro de 1949

Não é por nacionalismo que seria uma tolice. É por funda necessidade cultural que peregrino a pátria. A realidade telúrica dum país, descoberta pelos métodos dum almocreve, é muito mais instrutiva do que trinta calhamaços de história, botânica ou economia. Sem acrescentar que é com o seu próprio corpo que o homem mede o berço e o caixão...

Eça falhou n'A Cidade e as Serras porque nunca calcorreou as serras. Camilo é muito mais autêntico porque atolava os pés no barro que moldava.

Temos que conhecer a nossa terra. Mas conhecê-la por dentro, sem preconceitos de nenhuma ordem. Amá-la, sim, mas objectivar-lhe tanto quanto possível os defeitos e as virtudes, para que o nosso afecto seja fecundo e progressivo.

Portugal tem sido visto ou por arqueólogos ou por obececados. São horas de tentar compreendê-lo doutro modo. Nem o cisco dos cacos, nem o delírio histórico. Uma radiografia profunda, que revele a solidez do esqueleto sobre o qual todo o corpo se mantém."


Há caminhadas que simplesmente me atraem como actividade física. Ir mais longe, mais alto. Há caminhadas que valem pela companhia, por uma vista, por uma pedra. Esta valeu por ter escutado Miguel Torga como não saberia ler.

Tuesday, October 09, 2007

O novo período albufeirozoico

Barragem da Paradela, Outubro de 2007

"Paradela do Rio, 1 de Julho de 1956

Estes tempos de barragens são uma verdadeira era nova do mundo. Qualquer dia na escola, o mestre aponta o mapa e diz:

- Antes do período Albufeirozoico aqui era o Barroso.

Miguel Torga - Diário"


Passaram mais de 50, mas o recente anúncio do novo Plano Nacional de Barragens demonstra-nos como as receitas de hoje se parecem com as receitas do Portugal de ontem. O que interessa é anunciar a "era nova" com toda a pompa. Parece que estamos condenados a ter todas as barragens possíveis e uma torre eólica no cimo de cada monte sem fazer um debate sério sobre as opções energéticas. Antes de afogar o país em albufeiras devia haver coragem para promover esse debate.

Wednesday, September 12, 2007

Jornada dupla pelo Gerês

Fim-de-semana de jornada dupla mas as pernas não se queixaram. E no Sábado pude finalmente refrescar-me numa das pequenas piscinas do Vale Teixeira. A água, fria à entrada, é, depois, um bálsamo fantástico para o esforço.

No Sábado desci com o UPB desde os Prados da Messe ao Gerês. No grupo havia alguns iniciantes e subir a Costa Sabrosa não é fácil. Algumas paragens e num ritmo leve chegamos facilmente ao Conho, onde almoçámos. Ao subirmos para o Borrageiro encontrámos um grupo de geresianos que percorriam o trilho em sentido inverso. Deveriam ter começado na Portela de Leonte. Ficámos um pouco a conversar com alguns deles. A trocar informações sobre trilhos e plantas.

Descemos para o Vale Teixeira pela Chã da Presa. É trilho muito bonito, mas deixou algumas marcas nos menos experientes. Um bom calçado é fundamental para o conforto na montanha. As sapatilhas não são normalmente uma boa opção e a descer nem “todos os santos ajudam”. Pelo menos o “santo” dos caminheiros não ajuda muito sem um calçado aderente.

Num dos currais do Vale Teixeira encontrámos dois pastores da povoação Ermida. Estivemos um pouco a conversar sobre várias coisas. É escusado tentar fazer as pazes entre eles e o lobo. É uma coexistência que nunca será pacífica. Depois a geração deles a vezeira vai acabar, os filhos já não querem saber do gado senão no prato. Perder estas actividades tradicionais é uma das maiores ameaças que paira sobre o PNPG. Eu sei que em parte faz parte de uma dinâmica social normal. Cada vez haverá menos gente nas actividades do sector primário. Mas também não deixa de ser resultado de opções que fizeram do homem uma parte do problema e não parte da solução. Permanece uma tensão por resolver entre as populações e o PNPG. Eu, por muito que lhes reconheça a tendência para o erro, a merecer vigilância e regra, cada vez mais percebo o ponto de vista das poluções.

Saímos do Vale Teixeira directamente para o PR Trilho dos Currais por um trilho que não conhecia. Depois descer até às termas foi a pior parte da caminhada. O declive é demasiado acentuado e o piso, quase todo ele em estradão, é monótono e escorregadio. Eu apenas o tinha subido e não pretendo voltar a descê-lo.

No Gerês descobri que no dia seguinte havia uma festa de encerramento da vezeira entre os pastores. Fiz-me convidado e não me negaram – Apareça que chega para todos.


O Domingo estava destinado à exploração de uma variante de um trilho da CM Terras de Bouro para uma actividade dos Serviços de Documentação da Universidade do Minho (SDUM) no âmbito do 100º aniversário do Miguel Torga. O director dos serviços, Eloy Rodrigues, é também um entusista do pedestrianismo e não há melhor forma de homenagear o poeta que se definiu a si mesmo como “geófago”. O percurso decalca uma actividade da CM Terras de Bouro, mas importava reconhecer o terreno e verificar se seria acessível a todos.

Saímos desde as Porta do Parque em S. João do Campo e no marco miliário junto à estrada, depois cruzeiro, entramos num pequeno estradão de terra. Este caminho seria a antiga ligação de S. João de Campo a Lamas e, suponho, daí a Vilar da Veiga e Gerês. O caminho é fácil de seguir e possui parte lajeadas. Junto a uma pequena ponte vedada com arame farpado seguimos em frente. Na verdade não seguimos, mas tivemos que corrigir o erro. Num zig-zag pela serra, o caminho segue a direcção de uma linha de tensão até se encontrar com a actual estrada. Bem perto passa o estradão que segue para a Junceda. Paramos a descansar à sombra acolhedora de carvalhos milenários mas rapidamete seguimos. O almoço seria no Gerês e o apetite começava a despontar. Na estrada seguimos em direcção ao Gerês até ao entroncamento de Lamas. Aí seguimos para o miradouro da Boneca - nos primeiros sinais do PR-Trilho dos Miradouros - deve-se ter a atenção ao sentido da direcção em que estamos a caminhar.

O miradouro da Boneca, em conjunto com a Pedra Bela, são as duas melhores vistas sobre o vale do Rio Gerês. O miradouro da Boneca tem ainda a vantagem de permitir ver apenas o melhor das Termas do Gerês. Com excepção do Hotel do Parque, cuja degradação ofende algumas das minhas recordações de infância, o que de menos bonito existe fica fora campo de visão.

A descida para o miradouro da Fraga Negra requer alguma atenção, mas é fácil de seguir. A diferença de cotas é elevada, mas a descida não é complicada. Apenas mesmo ao chegar ao miradouro da Fraga Negra existe uma passagem um pouco mais escorregadia.

Chegamos ao Gerês um pouco mais tarde do que imaginava e já não pude ir aproveitar o “convite” para a festa do encerramento da vezeira. Também não encontramos um restaurante aberto e ficámos por umas sandes. Para quem fez os últimos metros na ilusão de um cabritinho poderia saber a pouco, mas o menu do dia tinha sido serra. Ainda que algo domesticada, tinha sido um bom “cheirinho de serra.

"Gerês, 17 de Agosto de 1958
Sou, na verdade, um geófago insaciável, necessitado diariamente de alguns quilómetros de nutrição. Devoro planícies como se engolisse bolachas de água e sal, atiro-me às serranias como broa de infância. É fisiológico, isto. Comer terra é uma prática velha do homem. Antes que ela o mastigue, vai-a mastigando ele. O mal, no meu caso particular, é que exagero. Empanturro-me de horizontes e de montanhas, e quase me sinto depois uma província suplementar de Portugal. Uma província ainda mais pobre que as outras, que apenas produz uns magros e tristes versos.

Miguel Torga , Diário VIII"

detalhe de uma carta antiga com caminho, a actual estrada ainda não aparece indicada

Friday, August 31, 2007

Gerês organiza circuito turístico de mini-autocarro

Os visitantes do Gerês e do concelho de Terras de Bouro podem contar com a oferta de um circuito turístico através de mini-autocarro que percorre diariamente os locais mais emblemáticos da serra do Gerês.

A implementação do circuito resulta da parceria entre a Câmara Municipal, o Parque Nacional da Peneda-Gerês e a Empresa Hoteleira do Gerês, possibilitando a visita a vários locais sem a necessidade de utilizar transporte particular e contactando directamente com a natureza uma vez que está concebido de forma que as pessoas possam entrar e sair em qualquer ponto do percurso, realizar visitas a vários locais à sua escolha, inclusive almoçar no Campo do Gerês ou vila do Gerês, visitar lagoas, passear na via romana, conhecer a fronteira da Portela do Homem, retomando o autocarro no horário que desejarem.

O circuito começa e termina na vila do Gerês, passando pelos vários locais, em horários pré-determinados, sendo também permitido que o turista possa realizar apenas parte do circuito, realizando o restante a pé, o que lhe confere alguma novidade e o torna aliciante.

Embora o circuito não possa dar resposta a quantos procuram o Gerês até 15 de Setembro, todavia, é mais uma oferta para quem gosta de deixar o automóvel e contactar directamente com a natureza e entrar em plena serra e apreciar as cascatas, lagoas, flora, etc.

As informações sobre o circuito encontram-se nos postos de turismo e nas diversas unidades hoteleiras, sendo realizado pelos autocarros da Empresa Hoteleira do Gerês, entre 2,ª e 6.ª feira, a preço simbólico, e, aos fins-de-semana, entre a vila do Gerês e a fronteira da Portela do Homem, pelo autocarro do Parque Nacional de forma gratuita.

site: CM Terras de Bouro

A primeira vez que me falaram neste circuito estranhei. O Parque parecia estar a contradizer as suas próprias orientações. O que até não seria tão absurdo, porque os técnicos do PNPG reconhecem em voz baixa que o plano de ordenamento é demasiado restritivo. E, como a revisão do plano curso está em curso, poderia ser mais um exemplo do limbo em que se encontra. Esta notícia no site da CM Terras de Bouro esclareceu-me melhor.

Ainda que não me pareça recomendável que este circuito passe pelo troço Bouça da Mó - Mata da Albergaria (Geira Romana), ainda que este circuito possa ter dado origem a alguns abusos, reconheço que é uma boa medida. E que poderá ter possibilitado que alguns turistas tenha conhecido um pouco melhor a serra.

O problema é que os mesmo princípios de que validam a existência deste circuito deviam validar a possibilidade de ao longo do ano ser possível "entrar em plena serra e apreciar as cascatas, lagoas, flora, etc". Aliás, os que fora do período estival procuram a serra até a procuram com motivações não exclusivamente turísticas. Mas é a estes, que destingem a serra de uma qualquer praia fluvial, que não fazem lixo, que apreciam a serra, que até animam economicamente a zona fora dos períodos de Verão, a quem, aparentemente, mais se pretende restringir.

Eu concordo que o PNPG possa estabelecer regras, que possa controlar o acesso à serra. Não posso concordar que o ICN não possa distinguir uma actividade sem fins lucrativos de uma actividade empresarial. Temo que ultrapassadas as limitações de um plano de ordenamento caduco as actividades de montanha fiquem proibidas a muitos dos grupos informais que as praticam. Apenas porque não podem cumprir com requisitos próprios de actividades empresariais. Não defendo a não existência de regras. Não defendo regras que só alguns possam cumprir.

nota: a motivação para esta refexão foi o conhecimento de casos concretos

Thursday, August 30, 2007

Lobos e outras histórias


Avistar um lobo era algo que desejava há muito. Sabia que as probabilidades eram reduzidas. Os lobos são animais muito inteligentes e raramente se deixam avistar. Numa actividade da Ecotura, percorri o Planalto de Castro Laboreiro com Pedro Alarcão e a Anabela Moedas, autores do documentário sobre o Lobo da RTP. Nessa ocasião escutei algumas das histórias sobre o lobo e sobre a gravação do seu documentário. Fiquei a conhecer um pouco melhor o lobo, a sua organização social, os mitos e a sua relação com o homem. Aprendi também a respeitá-lo mais. No último ano oor diversas vezes encontrei vestígios de lobo nas caminhadas. E numa caminhada da AAEUM um colega avistou um lobo, mas estava muito distante para também o ver. Sábado passado a minha sorte mudou.

Numa caminhada de reconhecimento do planalto de Castro Laboreiro, com um pequeno grupo do UPB, vi o meu primeiro lobo. A nossa ideia era apenas reconhecer um terreno fácil para uma caminhada nocturna, mas aproveitámos também para subir ao Giestoso. No regresso, em terreno aberto, um colega dá o alerta. Um pouco à frente, um lobo juvenil tinha saltado e fugia velozmente. Acompanhei-o por entre o mato até desaparecer numa lomba do terreno. Nunca o vi por inteiro. Apenas o deslumbrei por entre a vegetação. Mas o dia já estava ganho.

No planalto também avistámos o voo de duas aves que nos pareceram águias. As fotos que tirei não permitem a sua identificação.

O pré-programa da caminhada nocturna metia uma feijoada oferecida por um casal do UPB , o Coura e a Tília. A festa prometia ser rija. No final da tarde a chuva parecia querer estragar a programa. O jantar, que seria na zona de lazer de Lamas de Mouro, foi transferido para um café de uns senhores simpáticos que nos abriram as portas. A meio do jantar já agradecia a chuva porque me parecia impossível caminhar depois da feijoada. Só que chuva parou e a vontade de colocar as botas no trilho foi superior. Escolhemos um trilho mais fácil e fomos caminhar pelos estradões do planalto. No único momento de hesitação valeu-nos encontrar um jipe que percorria o planalto. Algumas indicações e rapidamente nos orientámos. No final ainda ficámos um pouco à conversa até o cansaço nos aconselhar a regressar.

Chegar a Braga foi mais complicado. O cansaço era grande. Eu inicialmente tinha decidido pernoitar em Lamas de Mouro, mas a chuva fez-me mudar de planos. Cheguei a casa com a luz do dia.

Friday, August 24, 2007

Miguel Torga e o Minho

Miguel Torga não gostava do Minho. Esta afirmação possui algum fundamento, pois por diversas vezes ele o escreveu. São diversas as entradas no seu Diário que reflectem esta antipatia. Só que foi claramente uma relação de amor/ódio.

Miguel Torga era um homem da montanha. Um homem com raízes nas fragas e dava-se mal com o verde o Minho. De certa forma foi uma relação marcada pelo eterno conflito do homem da montanha com o homem da ribeira. Para ele as "cangas lavradas e coloridas que ofendiam as molhelhas do suor verdadeiro", as festas "encandeavam a lucidez dos sentidos" e não partilhava da religiosidade de um povo "a cantar o Avé atrás do cura da freguesia".

No documentário que a RTP exibiu António Barreto disse que tinha conhecimento que o Miguel Torga teria dito coisas boas sobre Coimbra, onde escolheu viver, e sobre a Universidade de Coimbra, onde se formou, mas que nunca as tinha escutado ou lido. Pelo contrário, são conhecidas algumas opiniões bastante azedas sobre ambas. Do Minho sabemos que por cá passou diversas temporadas e que o percorreu. Um dos maiores capítulos do seu livro Portugal é mesmo sobre o Minho. Maior somente o capítulo sobre o seu Reino Maravilhoso: Trás-os-Montes.

Como minhoto teria naturalmente preferido escritos mais simpáticos, mas há que reconhecer que pelo menos em parte teria razão.

Como convite à leitura fica um pequeno excerto do Portugal de Miguel Torga:

"Desanimado, meti para Castro Laboreiro à procura dum Minho com menos milho, menos couves, menos erva, menos videiras de enforcado e mais meu. Um Minho que o não fosse, afinal. Encontrei-o logo dois passos adiante, severo, de curcelo e carapuça.

A relva dera finalmente lugar à terra nua que, parda como o burel, tinha ossos e chagas. O colmo de centeio, curtido pelos nevões, perdera o riso alvar das malhadas. Identificara-se com o panorama humano, e cobria pudicamente a dor do frio e da fome. Um rebanho de ovelhas silenciosas retouçava as pedras da fortaleza desmantelada. E uma velha muito velha, desmemoriada como uma coruja das catacumbas, vigiava a porta do baluarte, a fiar o tempo. Era a pré-história ao natural, à espera da neta.

Ó castrejinha do monte,
Que deitas no teu cabelo?
Deito-lhe água da fonte
E rama de tormentelo.

Bonita, esbofeteada do frio, a cachopa vinha à frente dum carro de bois carregado de canhotas. Preparava a casa de inverno para quandochegasse a hora da transumância e toda a família —pais, irmãos, gados, pulgas e percevejos— descesse dos cortelhos da montanha para os cortelhos do vale, abrigados das neves.

– Conhece esta cantiga?
– Ãhn?

Falava uma língua estranha, alheia ao Diário de Noticias, mas próxima do Livro de Linhagens do Conde de Barcelos.

– É legitimo este cão?
– É cadela.

Negro, mal encarado, o bicho, olhou-me por baixo, a ver se eu insistia na ofensa. O matriarcado teimava ainda...

– A Peneda?

A moça apontou a vara. E, como ao gesto de um prestidigitador, foram- se desvendando a meus olhos mistérios sucessivos. Todo o grande maciço de pedra se abriu como uma rosa. A Peneda, o Suajo e o Lindoso.Um nunca mais acabar de espinhaços e de abismos, de encostas e planaltos. Um mundo de primária beleza, de inviolada intimidade, que ora fugia esquivo pelas brenhas, tímido e secreto, ora sorria dum postigo, acolhedor e fraterno.

Quando dei conta, estava no topo da Serra Amarela a merendar com a solidão. Tinham desaparecido de vez as cangas lavradas e coloridas que ofendiam as molhelhas do suor verdadeiro. A zanguizarra dos pandeiros festivos e as lágrimas dos foguetes já não encandeavam a lucidez dos sentidos. Os aventais de chita garrida davam lugar aos de estopa encardida. Nem contratos pré-nupciais ardilosos, nem torres feudais, nem rebanhos de homens pequeninos, dóceis, a cantar o Avé atrás do cura da freguesia. Pisava, realmente, a alta e livre terra dos pastores, dos contrabandistas e das urzes. As pernas de granito dum velho fojo abriam-se num grande V, como as dum gigante no sono da sesta. E saltou-me vivo à lembrança o instantâneo de Joaquim Vicente Araújo, quando no seu Diário Filosófico da Viagem ao Gerês fala duma batida aos lobos, que presenciou, e em que toda a população masculina do lugar colaborara: «Era cousa de ver a má catadura duns e a presteza de todos, que descalços, outros de socos, armados desciam pelas fragas». Sem a coragem dos avós, agora os habitantes comunitârios de Vilarinho da Furna atacavam as alcateias a estricnina e caçavam corças furtivamente. Mas mesmo assim nao faziam má figura ao lado do rio Homem, que, talvez a querer justificar um nome que a etimologia lhe nega, parecia um lavrador numa leira de pedras, tenaz em todo o percurso, e sempre límpido, a espelhar o céu. Na margem de lá, o Pé do Cabril, solene, esperava a abraço duma ascensão. E coma a desafiar aquela pétrea majestade, arrogante e lustroso, o toira do lugar roncou de uma chã. Símbolo tangível da virilidade e da fecundação, nenhum outro deus, ali, tinha forças para o destronar. Plenitude encarnada do instinto natural de preservação da seiva capaz de se multiplicar em cada acto de amor, era ele o pólo de todos os cultos cuItos e desvelos. Rei já no tempo das casarotas megalíticas que me rodeavam, continuava a sê-lo ainda no presente por exigência e graça da própria vida.

Atravessada a ponte em corcova, galgados os muros ciclópicos da Calcedónia, numa erudiçao feita à custa dos pés, e guiado pelos miliários imperiais, segui a geira romana até chegar à Portela do Homem, onde as legiões invasoras pareciam aquarteladas. Mas foi a guarda fiscal, vigilante, que me recebeu.

A uma sombra tutelar, pouco depois, num minuto de descanso, a Historia recente da Pátria avivou-se.

– Uma das incursoes monarquicas foi por aqui...
– Tentaram... Tentaram...
– Este Minho! Este Minho!...
– Tem uma costela talassa, tem...

Mas recusei-me a reintegrar, por simples razões partidárias, aquelas viris penedias no planisfério verdurengo de onde a própria natureza as libertara. Tranquei as portas da memória e, pela margem do rio, subi aos Carris. Uma multidão minava as fragas à procura de volfrâmio, por conta da guerra e de quem a fazia. Teixos e carvalhos centenários acompanharam-me quase todo o caminho. Só desistiram quando me aproximei do cume da montanha, onde a vida, já sem raizes, tenta levantar voo.

Agora, sim! Agora podia, em perfeita paz de espírito, estender a minha ternura lusíada por toda a portuguesa Galiza percorrida. Pano de fundo, o mar de terras baixas era apenas um cenário esfumado; à boca do palco reflectiam-se nas várias albufeiras do Cávado a redonda pureza da Cabreira e a beleza sem par do Gerês. E o espectador emotivo já não tinha necessidade de brigar com o cavador instintivo que havia também dentro de mim. Embora através da magia agreste dos relevos, talvez por contraste, impunha-se-me com outra significação a abundância dos canastros, o optimismo dos semeadores e a própria embriaguez que anestesiava cada acto, no fundo necessária à saúde dos corpos individuais e colectivos. Integrava o alegrete perpétuo no meu caleidoscópio telúrico. Bem vistas as coisas, se ele não existisse faria falta no arranjo final do ramalhete corográfico português.

Em acção de graças por esta conclusão pacificadora, rezei orações pagãs no Altar de Cabrões, antes de subir à Nevosa e aos Cornos da Fonte Fria a experimentar como se tremem maleitas em pleno Agosto.

Estava exausto, mas o corpo recusava-se a parar. Pitões acenava-me lá longe, de tectos colmados e de chancas ferradas. Não obstante pisar o mais belo pedaço de chão pátrio, queria repousar em terra real e consubstancialmente minha. Ansiava por estender os ossos nos tomentos de Barroso, onde, apesar de tudo, era mais seguro adormecer. Quem me garantia a mim que, mesmo alcandorado nos carrapitos doirados da Borrajeira, não voltaria a ter pela noite fora um pesadelo verde?"

Dois objectivos

Recentemente percorri dois dos locais que mais desejava conhecer no PNPG: A travessia Pitões-Portela e a cumeada da Encostado Sol. Em ambas as ocasiões foram dias de forte calor mas a beleza dos locais compensou. São zonas duras, de uma beleza muito longe das paisagens bucólicas como muitos imaginam o Gerês. A maioria das pessoas que visitam o Gerês conhece-o junto às estradas, não imagina como é longe delas. A serra é dura, despida, por vezes seca mas pura. Eu gosto de ambas. Gosto do fresco das matas e a autenticidade das fragas. Prefiro perder-me nas segundas mas sentiria a falta das primeiras.

A travessia é uma experiência dura e um bom exercício de orientação. Os antigos percursos estão esquecidos. A zona é uma sucessão de corgos e quase não há mariolas para nos orientar o caminho. Particamente não há vegetação alta. Alguns currais esquecidos onde pastam livremente grupos de garranos. A área do PNPG pertencente a Montalegre é também umas das zonas onde me sinto mais livre.

Subir à cumeada da Encosta do Sol não é fácil, mas a perspectiva sobre o vale do Homem compensa largamente o esforço. Conhecia diversos relatos. Finalmente cumpri também este objectivo.

O sinal negativo em ambas foi ter que descer o estradão de acesso aos Carris. Nada me é tão penoso como caminhar naquele leito de pedras roladas. Pior só a confusão estival nas lagoas da Portela do Homem.

Não percebo porque o PNPG que é tão restrivo com certas coisas permite esta situação. É verdade que não consigo imaginar uma razão para impedir que as pessoas se banhem nas lagoas. Recordo-me é de muitas que justificariam que um guarda do Parque impedisse o depositar de lixo junto ao caminho.